Arquivo para Junho, 2006

O segredo da vida, do universo, e tudo mais.

Entende?

Fascinação

A quarta-feira de hoje – na verdade enquanto escrevo isso o mais correto seria dizer ontem - foi um dia anômalo, especialmente no Brasil. Após maratonas de três jogos diários em horários diferentes, quatro jogos agrupados em dois horários, hoje/ontem não tivemos jogo algum, assim como também não teremos nesta quinta-feira. Sexta a festa recomeça, mas só esses dois dias de vácuo já soam estranho após toda essa maratona e já dão uma dica de como vai ser quando a copa acabar, em pouco mais de uma semana. Essa pausa até foi boa pra mim, assisti ao menos 5 minutos de quase todos os jogos da copa, nem que fosse em trânsito ou acompanhando pela internet. Cheguei ao cúmulo de ver o segundo jogo da alemanha pelo reflexo em uma vidraça, espiando a televisão do reitor da Faculdade Câmara Cascudo, enquanto em reunião com o pessoal do Marketing. Quinta-feira, para os transeuntes desinformados, é o Sacro Dia da Faxina, na minha casa. Minha mãe me tira da cama às 7 nem que seja só pra se certificar de que eu não estou descansando no Sacro Dia da Faxina, pois, como todo mundo sabe, é pecado. Logo, eu precisaria correr o mais longe possível de casa, pra evitar o temperamento cataclísmico que enche a casa e arredores. Doravante, tornaria a minha vida de ávido consumidor futebolístico ligeiramente mais difícil. Felizmente existe a pausa, então, e cada um aproveita como pode. Juninho Pernambucano treina com os (e as) demais reservas na foto acima. Nós de cá padecemos de uma espécie de Síndrome de Deficiência Futebolística. Ninguém no jornal comentando uma arbitragem tosca (por sinal, viram que o cara que lascou a austrália vai apitar o BrasilxFrança?) , inúmeros replays e tudo mais.
Empreguei esse tempo de reflexão pra adiantar algumas leituras, ir ao oftamologista (que me confirmou o esperado, estou ficando gradativamente mais cego e uma boa estratégia pra impedir esse fenômeno é usar DE VERDADE o óculos), entre outras coisas banais. Estou relendo O Mundo de Sofia, de Jostein Gaardner. Li pela primeira vez as aventuras de Sofia Amundsen quando tinha uns quinze ou dezesseis anos, acho, o livro ficou emprestado por uns três anos – pessoas que ainda não devolveram meus livros, captem as indiretas – e só mês passado voltou aqui pra casa. Incrível como passado esse curto tempo, parece que tudo mudou, somos velhos conhecidos que mal se falam mas ainda se conhecem muito bem. Fiquei particularmente extasiado pelas lembranças da minha primeira leitura, esta carregada de uma legítima fascinação juvenil, que hoje reservo pra coisas bem particulares como encher cumbucas de gelo ou completar um álbum de figurinhas. Neste sentido, o livro fala muito da necessidade de se cultivar esse sentimento, essa emoção. A surpresa, o prazer hoje tão blasé (juro que sempre quis usar essa palavra, sério mesmo) de se deliciar com as coisas, novas ou não.
Eu sempre fui partidário de David Hume – outro dia escrevo algo sobre minha opinião acerca dele – e concordo com toda a importância sobre saber deixar de lado o passado e a experiência que nos cega frequentemente de saborear novas facetas, habilidade muitas vezes enferrujada pela rotina. Mas se bem que, pensando melhor, não acho que exista ninguém com apatia o suficiente pra não ver na alegria e disposição infantil como essa das filhas do Pernambucano fascinação o suficiente pra servir de combustível durante um longo dia maçante. Citando meu filósofo-pop-favorito mais recente, o Cantona: “Never grow up, children, never grow up”.

Fun Facts

- Iggy Pop visitou meu orkut
- Alguém da venezuela achou esse blog procurando por “sombras maditas”
- Alguém achou esse blog pesquisando Wagner Artur no google

;O

Preciso nem dizer que dentre essas, a do Iggy foi a que me deu mais medo….

No poder entrar esto!

Un policía alemán conversa con un aficionado español. (Foto: EFE)

Un policía alemán conversa con un aficionado español. (Foto: EFE)

19 de junio Hubo una vez un Mundial de fútbol que se lo encargaron organizar a un país muy singular, ya que todos sus habitantes se distinguían del resto de los del planeta Tierra por haber nacido con la cabeza cuadrada. Lejos de amoldarse a partir del nacimiento (en un hospital muy cuadrado) a las medidas estándar de los demás humanos, sus cabezas cuadradas se desarrollaron perfectamente, con sus cuatro esquinas cada una, de tal forma que la superficie de cada una de ellas era exactamente el resultado de multiplicar la medida de dos lados. Las cabezas de los alemanes no pesan tantos kilogramos, sino que miden tantos centímetros (cuadrados por supuesto).

La empresa propietaria del Mundial también estaba compuesta en su totalidad por gente tan cuadrada como las cabezas de sus intermediarios, así que resultó un Mundial, que no fue un Mundial para muchos, sino un curso de xxx.

—No poderr llevar esto cosa dentro estadio.

—¡Pero oiga, que soy periodista!

—No poderr llevar esto dentro.

El hombre cuadrado en una de las mil barreras cuadradas de acceso a un estadio cuadrado, impedía entrar a un periodista porque en su mochila llevaba en una bolsa una manopla de plástico (deshinchada por supuesto) con los colores de España. Se trataba de un regalo, porque a nadie, a no ser que sea un cuadrado, se le ocurre pensar que un periodista va a sacar en su tribuna de prensa una manopla gigante, hincharla y agitarla. No tiene ningún sentido, entre otras cosas porque pulsar en un ordenador con unos dedos de plástico tan grandes como un pepino parece bastante complicado. El periodista tuvo que dejar allí el regalo que guardaba para su hijito español y más o menos redondo.

—No poder entrar esto

—¡Pero qué me está diciendo!

—No poderr entrar esto.

No era una manopla hinchable esta vez, sino un pequeño frasco de colonia que otro periodista llevaba en su mochila.

—Crrristal, no lanzarrr. No poderrr entrar dentro.

—¡Pero usted se cree que yo voy a lanzar este frasco que me ha costado medio sueldo!

Otra entrada cuadrada:

—No poder entrarr esto.

—Oiga tengo un problema de respiración y necesito este spray (Ventolín).

El hombre cuadrado, agitó el bote y roció ligeramente su contenido al aire.

—No poder entrarr esto.

En este caso, el hombre con su enfermedad respiratoria, tuvo que enseñar su receta. Finalmente accedieron a permitirle la entrada con su bote, pero no por hacerse cargo de la situación, sino porque el papel de la receta era cuadrado.

Retirado do blog de Carlos Carbajosa, sem nenhuma espécie de autorização http://www.elmundo.es/mundial/2006/blogs/blog04/index.html

Told you…

;)

Vou ser um ótimo papai!

Castelinho nada!

Direto do riverside (que ainda existe)

Dia desses eu estava lendo um livro que ganhei de Judson – sigam o exemplo deste bom camarada, realmente preciso de mais livros – e me deparei com muitas coisas novas, direta ou indiretamente. O dito texto em questão é “A paixão segundo G.H.”, de Clarice Lispector. Os primeiros capítulos são realmente arrebatadores, me lembrando muito o início d’O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco, pelo mesmo jeito atordoante de encantar enquanto te sacode de cabeça pra baixo nas idéias. Mas isso não vem ao caso, e sobre esse livro só deixo a sugestão. Mas dia desses li, aleatóriamente, uma notícia em algum jornal/revista/noticiário qualquer, que Clarice tinha uma peculiaridade: não lia seus textos. Escrevia, depois deixava pra lá. Dizia que achava ruim, estava datado, não prestava mais. Tem muito escritor por aí com suas manias, Virginia Woolf só escrevia em pé, por exemplo. Mas achei particularmente interessante por eu ser meio assim. Acontece comigo quase o oposto, adoro reler o que eu escrevi, constatei isso ao ler essa nota. O motivo é que, assim como uns bebem pra esquecer, eu escrevo pra lembrar. Já faz algum tempo que minha memória começou a me deixar na mão de forma mais safada que o comum. Esqueço coisas a fazer, coisas que fiz, coisas que pensei. Já cheguei ao ponto de ter de argumentar rápido pra não esquecer a idéia no meio do argumento. Então, eu escrevo por duas razões. Para registrar memórias, sensações e emoções, ou para conhecer a vida de alguém de quem não me lembro mais, e portanto, uma vida que deixou de ser minha para pertencer ao passado. A vida é feita de fatos sobrepostos em uma ordem minimamente lógica – é lógico – e uma das provas que aquele momento não vai se repetir é o fato dele já ter acontecido, e se fosse acontecer de novo, não o seria pela primeira vez, mas justamente uma simples repetição. Então eu encontro algo na natureza ou nos homens que considero digno de nota, escrevo pra emoldurar no surreal, e pra de lá nunca mais sair. É legal saber que eu nunca vou ser capaz de reduzir a realidade a palavras, mas sim posso me esforçar em transpor em palavras um ponto de vista, como um quadro impressionista. Reforço a idéia de que sinônimos são uma ilusão reconfortante, mas dizer que se está feliz não é dizer que se está alegre. Assim, eu escrevo pra congelar um momento no tempo, e ter essa eternidade a minha disposição, mesmo que jamais chegue a consultá-la. O que importa é que esteja lá como uma rede protetora abaixo dos trapezistas voadores, descansando de forma soberana por toda sua extensão, pronta pra salvar alguém da queda, e o levar ao seu devido lugar, no caso, os céus. O que importa mesmo é que eu possa ler e reler, não pra achar que eu escrevo bem ou mal, pra achar bonito ou feio – até acho que poderia ser bem melhor – mas pra descobrir quem eu era, e junto com quem eu sou, traçar uma reta no plano cartesiano dos dias pra saber quem serei amanhã. Se é preciso disso tudo, não lembro, vou reler com mais calma pra tentar descobrir.

Comediantes e comediantes

Muito tem se dito por aí da morte de Bussunda. Até a seleção opinou a respeito. Hoje vi na TV a propaganda da Antarctica homenageando o humorista. Achei oportunismo, fortalecendo vínculos com o mercado através da morte de um amigo. E se era pra homenagear, que fosse feito essa, feita pelos Monty Phytons ao seu integrante Graham Chapmam – conhecido como o Artur do Cálice Sagrado e o Brian da vida de Brian – que faleceu em 89, com 40 e poucos anos.

Fucking death.

Ps. Quinta-feira seria aniversário de Daniel, vou levar uma flor. Espero que (a minha) não seja a única.

Words of wisdom (updated)

Assim diz, Eric Cantona – aquele cara das propagandas da nike – que acabo de descobrir que foi uma grande estrela do futebol inglês:

“Sometimes in life one experiences an emotion which is so strong that it is difficult to think, or to reason. Sometimes you get submerged by emotion. I think it’s very important to express it – which doesn’t necessarily mean hitting someone. I am very mistrustful of people who are constantly overintellectualising things. It kills passion. You have to allow yourself to lose control from time to time.”


“I didn’t study; I live. You can’t study these things – life teaches them to you. You don’t find them in a book……I’ve read a lot of Socrates on page three of the Sun.”

Amazing, huh?

***Chequei o que Daniel falou e é verdade, ele chegou a ser suspenso por oito meses por aplicar um chute em um torcedor desbocado. Além disso, sempre foi considerado um exemplo de falta de exemplo, por seu comportamento temperamental, que parecia ser tão incrível quanto seu futebol genial. Foi eleito jogador do século em 2001, e atuou pelo Manchester United.***

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