How life sets us apart

É muito fácil eleger inimigos, alvos pros nossos medos. Dar nome pro boi da cara preta de quem fugimos na hora de dormir. Uma hora é a professora, depois a menina que não dá bola, o valentão, o professor tirano, o chefe, a namorada ciumenta. Durante todo o percurso, nós vamos andando num ritmo andante ma non troppo em um side-scrolling, pulando plataformas e desviando dos obstáculos. Nós contra todo o resto. Todo o resto pois mesmo nossos amigos ficam em uma zona de segurança, perto, mas ainda assim fora do nosso inner sanctum. Ao final de contas, nós estamos sós.

Mas nem sempre é assim. Às vezes somos forçados a unir esforços, cooperar, nos aproximar de pessoas de tal forma que por alguns instantes aquela membrana que nos protege de tudo mais parece fraquejar. Em uma fração de segundo intermitente essa barreira some e nosso conteúdo se despeja no ambiente e em todos ao redor. Nosso núcleo se dispersa no mundo entrando em contato com outros ou simplesmente se perdendo no vazio.

De vez em quando muitas pessoas se encontram por razões quaisquer. Unidos por uma praga em comum, estudando na mesma matéria, torcendo pro mesmo time. Nesses momentos em que nós podemos usufruir de breves lampejos de contato com o próximo, podemos perceber como o mundo realmente é la fora, do lado de lá da janela dos seus olhos.

A vida nos separa dos demais para nos unir em círculos de vidas que vibram na mesma frequência, seja em um grupo de amigos ou em uma nação. O ser humano não pode ser completo enquanto não se separar de tudo e se reencontrar, finalmente, no antigo vazio da sua identidade agora confirmada pela experiência do outro e do mundo.

Para isso que vivemos, se alguém discordar mande ele pastar.

1 Resposta para “How life sets us apart”


  1. 1 suzana Fevereiro 27, 2008 em 10:29 am

    life is a bitch?

    “se separar de tudo e se reencontrar” - pra mim reside aí uma revelação, uma raison d’être.

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