Arquivo para Junho, 2008

Movimento

“The moral of the story is we’re here on Earth to fart around. And, of course, the computers will do us out of that. And, what the computer people don’t realize, or they don’t care, is we’re dancing animals. You know, we love to move around.”
- Kurt Vonnegut

All the way down folks, all the way down.

ou:

Keep walking.

can’t decide which one is best.

Palavras

Conta uma lenda de uma terra distante em que as palavras surgiram antes das coisas. As palavras na verdade seriam as divinidades, e as coisas simplesmente seu reflexo. Segundo me contaram, existiam soltas todas as palavras, todas as unidades da existência. Elas simplesmente existiam como um pedaço daquilo que existe e se contrapõe ao que não existe. Um dia elas resolveram se juntar, sem motivo aparente. Segundo o Mundo, todas queriam na verdade um lugar pra ficar. Já o Destino diz que tudo tinha de ser assim. Deus jura que foi ele que convocou e colocou cada um em seu lugar. Mas a Solidão acha que nem mesmo as palavras são alguma coisa sem as outras pra descrevê-las, e talvez tenha um ponto. O tempo que durou entre a aproximação das palavras e a impressão de suas sombras na criação é inexato, e o processo todo foi recheado de eventos complicados e curiosos. Um dos mais interessantes é a história da Promessa. A sombra da Promessa no começo era estranha, era simplesmente algo que não parecia certo, parecia fora do lugar. Todo mundo passava, olhava, e ninguém danado entendia o que acontecia. A sombra era estranha, incomum, nebulosa. E na hora que o Tempo passava por ali, a Idéia apareceu do nada: a Promessa esteve fora de lugar o tempo todo! A Promessa pertence ao lado do Tempo, são sombras-irmãs. Possuem contornos únicos, irrevogáveis. “Mas se elas pertencem à mesma frase da criação, como podem se encontrar?”, perguntou o Destino. Alguém disse que, como sempre, teria de fazer o trabalho sujo.