Na Filosofia da História de Hegel ele discorre sobre os vários tipos de historiador, de relator da História. Há aquele que participa diretamente do momento histórico, há o que analisa a questão fora de seu tempo e há o que observa a razão filosófica – nos termos de Hegel, o caminhar do Espírito. Neil Gaiman comenta algo parecido, ao falar da importância de sua obra e do seu papel como escritor da derradeira edição da história do Vigilante de Gotham:
But to your question, people used talk to me about The Sandman back when I was writing it, and my answer was that I was too close to it to know what I was doing and feeling. Decades later, I could look back and go, “Whoa, we did it!”
I remember George Harrison complaining that he had no idea what The Beatles meant to the ’60s. So the truth is, I have no idea. I look at it and say, “Andy did me proud,” but I do wonder if they’ll think I went mad at the end. Whether it works or not, I don’t know or care, but it makes me very happy. I know that if Batman ever reads it, he will know that he was my first love.
A análise da história (e História) com certeza demanda alguma isenção, algum afastamento. Mas mesmo além do exame racional, há um conteúdo passional, emotivo esperançoso. Paixão pelas sensações do momento, e esperança que elas fiquem, como uma tatuagem, impregnadas, indeléveis. Alguns filmes, momentos, sentimentos, envelhecem bem, adquirindo novos sabores e tonalidades à distância. E, mesmo ao final da curva, ainda podemos olhar de soslaio e reconhecer nossos primeiros amores. E isso é muito legal.




