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	<title>Riverside Hotel</title>
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	<description>Um hotel cheio de pessoas em trânsito e idéias em curso</description>
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		<title>A morte necessária</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 05:36:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Artur Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Persianas]]></category>
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		<description><![CDATA[Não é de se surpreender a progressiva laicização da espécie humana. Um dos maiores presentes da vida moderna foi nos trazer a inexorável certeza que a própria, tão atribulada e movimentada vida, um dia acaba. Faça o teste: procure uma &#8230; <a href="http://riversidehotel.wordpress.com/2012/01/10/a-morte-necessaria/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=1055&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Não é de se surpreender a progressiva laicização da espécie humana. Um dos maiores presentes da vida moderna foi nos trazer a inexorável certeza que a própria, tão atribulada e movimentada vida, um dia acaba.</p>
<p style="text-align:justify;">Faça o teste: procure uma pessoa qualquer e lhe pergunte quais são suas expectativas para depois da morte. Com sorte &#8211; e confiando nas estatísticas brasileiras &#8211; você vai encontrar uma pessoa religiosa engasgando entre múltiplas respostas-prontas possíveis, todas elas tergiversando sobre o tema &#8220;Céu&#8221;. Mas insistindo um pouco mais tópico adentro, &#8220;mas lá no Céu, como vai ser?&#8221;, o riscado fica ainda mais torto.</p>
<p style="text-align:justify;">O que poderia, afinal, um ser físico desempenhar em um ambiente metafísico? Como uma existência temporalmente limitada poderia ser desencaixotada numa dimensão definida por sua eternidade? Os textos bíblicos prometem uma existência devotada a glorificar Deus. Mas como isso seria exatamente? Um longínquo coral dos fiéis exaltando o Altíssimo, o Alfa e o Ômega, o Senhor dos Exércitos, etc etc etc até esgotar todos os títulos de potestades infra, ultra e extra terrestres. Certamente não me parece um bom programa nem para uma segunda à tarde, quem dirá para a eternidade inteira.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas presumamos que essa seja uma interpretação equivocada, essa de confundir e mesclar o físico e o metafísico. Vamos tentar de novo. Vamos considerar que, em nossa morte, nos afastaremos da existência material para assumir nosso lugar no imenso Estige, o rio dos mortos, com nossa essência fluindo permeando toda a existência para todo o sempre amém. Uma vez nesse corpo etéreo nós seremos despidos dos limites de nossas particularidades, compondo orquestradamente uma grande totalidade das almas celestiais. Bom, se perdermos tudo, então morremos naquele sentido tedioso dos céticos, e não é o que estamos buscando. Então algo deve persistir.</p>
<p style="text-align:justify;">Algo precisa servir como condão, como arrimo para aquilo que somos. Se eu nunca tivesse tido mãos não sentiria falta delas se fossem tiradas de mim. São as memórias das experiências pretéritas que, junto com a experiência sensorial, apresentam-nos o mundo ao nosso redor. Na ausência de uma dimensão sensorial &#8211; já que descartamos a possibilidade de mescla entre o físico e o metafísico &#8211; tudo o que nos resta de possibilidade de fundamento para o agir são as memórias, que poderiam depender ou não dos processos químicos e elétricos que, ainda que considerados abstratos, tem origem e funcionamento claramente concretos, como regularmente nosso cérebro funciona.</p>
<p style="text-align:justify;">Suporíamos então, ainda pelo desbravar do argumento, que seja possível que mantenhamos a consciência sem corpo ou mesmo atividade cerebral, somente com uma espécie de presença indistinta, preenchida com informações inverificáveis &#8211; já que nossa individualidade física teria sido extirpada. E o que faríamos então? Nós, ilimitados, descobriríamos afinal que é simplesmente impossível se afirmar algo diante do nada. Nós, por mais brilhantes, apaixonados, humildes, belos, perto da luz da eternidade não seríamos ninguém, seríamos como pedras que ainda que ricocheteiem no espaço sideral se fragmentando em poeira estelar, não farão barulho.</p>
<p style="text-align:justify;">Se nossa vida fosse eterna todos nossos atos seriam contrapostos ao vazio. Aqueles breves milésimos de vida na história do universo passariam como um soluço vexatório, dando lugar a um imenso vazio. O vazio do indistinto, da inexistência de características, de possibilidades. A vida eterna seria uma condenação cruel a uma eternidade de reprises e covers após segundos de um relance de música original.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas a morte existe para nos oferecer uma medida de compensação. De saber que nosso primeiro beijo durará boa parte de nossa curta vida, impresso entre nossos lábios. Que nossos temores infantis nos seguirão da mesma forma, primeiro como monstros, depois como lições. Nós vivemos vidas curtas, com anos apinhados mas ainda assim tão velozes, para que possamos dar valor a um dia sequer. Aquele dia, aquele do qual muitas vezes você é refém. Aquelas escolhas que você fez. Aquilo que você escolheu ser na sua curta vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Nossa vida moderna nos ocupa cada vez mais. Momentos do dia dedicados ao ócio foram &#8220;colonizados&#8221; pela produtividade, consagrando nossas vidas a serem um eterno (enquanto dure) conjunto de possibilidades. Cada dia é mais valioso. Podemos viajar, conhecer, amar, destruir, conquistar em proporções épicas. E, se não o fazemos fica o som do relógio no estômago do crocodilo, nos perseguindo: sua vida poderia ser melhor aproveitada. Viva mais, nem que essa ansiedade lhe corroa como ácido.</p>
<p style="text-align:justify;">Vivemos pouco para poder viver muito. Se vivêssemos para sempre os segundos seriam inertes e seríamos superiores que o tempo, desvencilhados da apreensão de momentos. Estamos condenados a viver uma vida de nossos significados, e morrer para que ecoem, em sua pequenez ou singular luminosidade. Está valendo a pena?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/riversidehotel.wordpress.com/1055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/riversidehotel.wordpress.com/1055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/riversidehotel.wordpress.com/1055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/riversidehotel.wordpress.com/1055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/riversidehotel.wordpress.com/1055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/riversidehotel.wordpress.com/1055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/riversidehotel.wordpress.com/1055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/riversidehotel.wordpress.com/1055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/riversidehotel.wordpress.com/1055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/riversidehotel.wordpress.com/1055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/riversidehotel.wordpress.com/1055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/riversidehotel.wordpress.com/1055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/riversidehotel.wordpress.com/1055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/riversidehotel.wordpress.com/1055/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=1055&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Possibilidades do impossível</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jul 2011 23:05:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Artur Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Persianas]]></category>

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		<description><![CDATA[Bom, no último post escrevi um pouco sobre fantasia e ficção. Na verdade eu falei mesmo sobre fantasia. A sua relação com a relidade &#8211; e a chamada ficção &#8211; é algo que eu gostaria de tratar agora. Eu já &#8230; <a href="http://riversidehotel.wordpress.com/2011/07/30/possibilidades-do-impossivel/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=1046&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1048" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><a href="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/07/mickey_mouse_in_fantasia_-492.jpg"><img class="size-full wp-image-1048" title="mickey_mouse_in_fantasia_-492" src="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/07/mickey_mouse_in_fantasia_-492.jpg?w=640" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">A fantasia às ordens de seu mestre</p></div>
<p style="text-align:justify;">Bom, no último post escrevi um pouco sobre fantasia e ficção. Na verdade eu falei mesmo sobre fantasia. A sua relação com a relidade &#8211; e a chamada ficção &#8211; é algo que eu gostaria de tratar agora.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu já tinha escrito 90% desse post quando tropecei <a href="http://online.wsj.com/article/SB10001424053111904800304576474430386670622.html" target="_blank">neste artigo</a>, em que o romancista norte-americano Lev Grossman suscita uma importante questão sobre a pertinência da fantasia no mundo contemporâneo. Curiosamente era justamente isso que eu queria tratar nesse post, ao explorar mais os domínios da fantasia. Recomendo a leitura do artigo dele antes, durante, ou depois do meu post, tanto faz. Questão parecida foi suscitado em <a href="http://www.tor.com/blogs/2011/07/on-the-other-side-of-the-wall-neil-gaimans-stardust" target="_blank">outro post</a>, esse tratando de Stardust, se é ou não fantasia. Recomendo também, nos mesmos termos do anterior.<span id="more-1046"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Voltando ao bom Todorov, aquele búlgaro serelepe, nosso bom barbudo expõe, na tarefa de delimitar o fantástico, um pouco sobre as condições necessárias para chamar uma narrativa de fantástica:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">Estamos agora em condições de precisar e completar nossa definição do fantástico. Este exige o cumprimento de três condições. Em primeiro lugar, é necessário que o texto obrigue ao leitor a considerar o mundo dos personagens como um mundo de pessoas reais, e a vacilar entre uma explicação natural e uma explicação sobrenatural dos acontecimentos evocados. Logo, esta vacilação pode ser também sentida por um personagem de tal modo, o papel do leitor está, por assim dizê-lo, crédulo a um personagem e, ao mesmo tempo a vacilação está representada, converte-se em um dos temas da obra; no caso de uma leitura ingênua, o leitor real se identifica com o personagem. Finalmente, é importante que o leitor adote uma determinada atitude frente ao texto: deverá rechaçar tanto a interpretação alegórica como a interpretação “poética”. Estas três exigências não têm o mesmo valor. A primeira e a terceira constituem verdadeiramente o gênero; a segunda pode não cumprir-se. Entretanto, a maioria dos exemplos cumprem com as três.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">O principal elemento definidor da fantasia, em especificação da ficção geral (e em contraposição à realidade), é o senso de absurdo, de desconexão com o real. A ficção pode ser integralmente realista, por exemplo, como o é, normalmente, nos dramas. Uma narrativa sobre um casal em crise raramente usa elementos além do cotidiano, justamente para fisgar o leitor por meio da identificação na banalidade. Há descrições de rotina, de trejeitos comuns de personalidade, há coisas que todos vêem o tempo todo e não se questionam. A ficção é uma forma genérica que se especifica tanto nas narrativas mais realistas (que só diferem do nosso mundo real por tratarem-se de personagens e situações que não é de nosso conhecimento) quanto nas mais fantasiosas (como dragões e/ou mortos vivos).</p>
<p style="text-align:justify;">Nós compreendemos o mundo por certas regras lógicas do normal, do esperado. Na ficção (fantástica ou não) eu enuncio uma situação hipotética. Digamos, por exemplo, que eu jogue uma pedra para o alto. Partimos do pressuposto que o mundo hipotético é, de início, similar ao que vivemos, então presumimos que a pedra cairá, derrotada pela gravidade. Se jogar uma pedra mágica e disser que, ao subir, o objeto começou a emitir um guincho estridente e pulsar rapidamente numa luz amarelo-ouro, para depois explodir numa pequena bola de fogo que criou asas, uma fênix majestosa que saiu voando por aí, estarei então fazendo uma fantasia (E dando uma de Saramago, com um período excessivamente longo e confuso). Comecei propondo a situação colocando-a no terreno do mágico, do sobrenatural, dizendo se tratar de uma pedra mágica. Essa é a fantasia mais &#8220;pura&#8221;, digamos assim, a que se apresenta como um mundo dissociado da realidade, logo de cara. Mas o mais peculiar &#8211; e meu objetivo hoje &#8211; é o chamado fantástico, o gênero característico pelo vacilo entre essas duas possibilidades, o real e a ficção.</p>
<p style="text-align:justify;">Se eu, por exemplo, jogo a pedra do primeiro exemplo para cima, e no resultado dessa ação ocorre aquilo descrito no exemplo da pedra mágica, aí temos uma quebra de paradigma. A primeira está regida pelas leis da razão prática (não no sentido de Kant), cotidiana, a segunda pelos limites da razão possível, no domínio do imaginável. Lembrando que tudo que pode ser imaginável é, a seu modo, real &#8211; mas não vamos entrar nessa questão agora. O leitor (ou o personagem, ou os dois) não entende o que se passa. A seu ver, trata-se de uma situação sobrenatural, no sentido de desviante das regras normais da natureza. E é nesse momento de vacilo (ou na existência dele) que podemos entender melhor o que é uma fantasia, uma ficção realista e uma história de realismo fantástico. Sobre o último eu vou falar mais tarde, depois do pulo. Calma que já chegamos lá.</p>
<p style="text-align:justify;">É óbvio que essa não é uma classificação estanque, é mais um critério de avaliação. A julgar por essa espécie de coerência sistêmica entre o real e o fantasioso &#8211; e seu desafio pelo realismo fantástico &#8211; podemos entender e diferenciar algumas obras ditas inclusive como parecidas.</p>
<p style="text-align:justify;">Um exemplo interessante para mim é o das obras de J. R. R. Tolkien e G. R. R. Martin, Senhor dos Anéis e Guerra dos Tronos, respectivamente. São formas narrativas semelhantes se vistas no gênero da fantasia medieval, seguindo o critério de gênero que eu sugeri no post passado, mas a semelhança para aí. Diferem totalmente em objetivos, temáticas e na linguagem empregada. Alguns exemplos seguem, mas os parágrafos podem ser pulados sem prejuízo pro meu argumento, caso você queira poupar tempo.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>PULE DAQUI!</strong></p>
<p style="text-align:justify;">As narrativas da Terramédia se passam num mundo inegavelmente fantasioso. Não é à toa que a inesquecível e icônica primeira frase d&#8217;O Hobbit é &#8220;Em um buraco no chão vivia um hobbit&#8221;. Oras, sabemos o que é um buraco, mas não sabemos o que é um Hobbit. O Hobbit, inclusive, é uma criatura antropomórfica que não existe em nosso mundo. Ou seja, da primeira frase Senhor dos Anéis deixa bem claro que trata de uma fantasia. A obra de Martin, por sua vez, fora seu prólogo dúbio, só se revela como fantasia no ÚLTIMO capítulo. Até então praticamente TUDO no livro poderia acontecer normalmente em nosso mundo, sem nenhuma surpresa. O momento, inclusive, em que acontece essa revelação sobrenatural tem o impacto daquele momento do final de Bastardos Inglórios em que o espectador percebe que é isso mesmo que ele está pensando. Acontecem alguns segundos de vacilo, de incerteza. É isso mesmo que eu estou vendo/lendo? Isso é impossível! Isso é mágico! A admissibilidade dessa dúvida é a marca definidora do realismo fantástico.</p>
<p style="text-align:justify;">E não para por aí. As narrativas tolkenianas detalham grandes mobilizações de tropas e batalhas, mas também cidades suntuosas e diversas criaturas e raças mágicas. Tente não pensar nisso como uma análise pejorativa, mas não há nada que George Martin descreva com maior atenção do que roupas e comida. Só estou tentando evidenciar como são duas obras diferentes desde o princípio. Martin está mais ancorado na concretude das relações sociais (foi, por exemplo, o primeiro livro de fantasia que eu vi trabalhar o conceito de vassalagem) do que Tolkien. As temáticas abordadas também são bem diferentes, com um Tolkien construindo castelos no céu para falar sobre nobreza, caráter e o poder da amizade, enquanto Martin apresenta uma visão pós-moderna e pós-freudiana que tira do homem esse caráter apolíneo, aproximando-o mais de uma besta com ganância e tesão, sendo que o grupo de personagens mais ligado por valores &#8220;humanos&#8221;, no sentido idealista do termo, como valores excelsos, puros, são, ao longo da série, os que mais apanham impiedosamente. Nesse sentido, Martin escreve uma novela em que os bons apanham, e apanham muito, por viverem no mundo real, em que os bons (tal qual os meus) apanham pra caramba. No mundo de Tolkien, os bons padecem, sofrem, mas há um senso anterior de que há uma profecia a ser cumprida, e todo sofrimento é parte da sina de fazer essa profecia acontecer. Frodo sofre, mas sofre por ter escolhido o &#8220;emprego&#8221; de portador do Anel. É uma ação positiva, sair em uma jornada. No mundo de Westeros, os Stark são visitados pelo destino, que os intima a assumirem um reino em sua mão. É uma narrativa intrincada, cheia de reviravoltas sim, mas todas fruto de ações humanas (ou quase todas). Os monstros de Martin não são abissais, queimados por milênios no fundo de minas infinitas, são sim internos e imprevisíveis.</p>
<p style="text-align:justify;">O paradigma de Tolkien é pré-nietzscheano, enquanto o de Martin é posterior de um tempo em que a imagem mítica do homem criado à imagem e semelhança do altíssimo, pautado pela razão e pela virtude foi jogada por terra. Numa espécie de contra-reforma iluminista, a concepção científica mais aceita atualmente é a de que somos animais ligeiramente mais habilidosos que a média.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>CAIA AQUI.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Em alguns aspectos, a obra de Tolkien se assemelha ao gênero fantástico &#8220;puro&#8221;, digamos assim. Mas afirmar isso somente seria desonestidade da minha parte. Na verdade, Tolkien não escreve o fantástico &#8220;puro&#8221;, mas escreveu o fantástico tolkeniano, que virou em si um gênero, facilmente discernível por sua atenção obscena à critérios como formação cultural e linguística, com lendas, canções e poesias, em um mundo persistente e multirracial. Martin, em seu tempo &#8211; diferente do de Tolkien, não custa frisar -, não &#8220;melhorou&#8221; Tolkien, mas sim não seguiu sua herança, mas puxou de outro galho da cultura global. Pode parecer maldade minha, mas pra mim Guerra dos Tronos &#8211; até onde eu li &#8211; está mais inclinado pra Madame Bovary &#8211; se você nunca leu, leia, ou pelo menos vá procurar a respeito na Wikipedia. Até o final do primeiro livro é um livro de ficção realista, que paulatinamente se desprende do chão da razão e ergue seus braços buscando elementos etéreos da fantasia. Mas nunca voa de fato. Nisso eu creio ser razoável chamar a obra de Martin, do segundo livro em diante, de fantasia realista.</p>
<p style="text-align:justify;">Nisso, bate na trave de um gênero particularmente bem-sucedido na América Latina, o realismo fantástico, ou realismo mágico. Trata-se de uma perspectiva bastante explorada por autores como Jorge Luiz Borges e Gabriel Garcia Márquez. Sabe aquela situação vacilante que eu descrevi lá atrás, em que o leitor e o personagem não sabem bem o que é real e o que é verdadeiro? Poisé, essa é a característica definidora da literatura fantástica como exposto por Todorov. O realismo fantástico se coloca numa situação paradoxal em que sua razão de leitor tem absoluta certeza que aquilo não é real, enquanto a personagem tem absoluta certeza que o é. É um sistema com coerência interna. Funes, o memorioso, não esquece de nada. O Aleph é em um ponto todos os pontos, vistos de todos os pontos. José Arcadio Buendía vive mesmo na árvore (se você realmente gosta de Cem Anos de Solidão vai delirar vendo isso <a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4a/Cem_anos_de_Solid%C3%A3o_Jhony.JPG" target="_blank">aqui</a>). E, ao mesmo tempo, não é uma metáfora, é uma realidade em si absurda para o leitor.</p>
<p style="text-align:justify;">O fantástico é um gênero diferente da fantasia e do realismo fantástico, e são todos variações da ficção. Na minha modesta opinião são todas formas narrativas necessárias hoje, como sempre foram. Se a crueza sanguinolenta do realismo de Martin mexe com suas entranhas, também é bacana ler histórias (ridiculamente fantasiosas) dos mitos gregos, egípcios, judaicos ou cristãos, e apreciar a forma que essas narrativas tiveram um profundo impacto político na formação da nossa sociedade, ou de sociedades que não são exatamente como a nossa. A capacidade humana de aduzir verdade (relativa, óbvio) da metáfora é inerente e inafastável. Está em todas as formas culturais, em todo tempo, sempre. Bons livros, boas músicas e boas obras de arte em geral sempre serão cápsulas de conhecimento concentrado, estético ou não. Todas carregando em si o DNA de várias gerações culturais predecessoras, e possibilitando novas formas através de suas invencionices e desdobramentos particulares. E eu gostaria de falar um pouco, no próximo post, sobre um tipo especial de consequências culturais: o fato político.</p>
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		<title>Em casa de ferreiro fantástico</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jul 2011 16:38:45 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Eu passei alguns meses afastado do blog por questões acadêmicas &#8211; terminando a dissertação &#8211; e agora estou tentando voltar aos poucos, escrevendo algumas vezes por semana. Vamos ver no que dá. De qualquer forma, gostaria de escrever sobre alguns &#8230; <a href="http://riversidehotel.wordpress.com/2011/07/22/em-casa-de-ferreiro-fantastico/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=1028&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 445px"><img src="http://www.osarmenios.com.br/wp-content/uploads/alan-moore-watchmen-wide.jpg" alt="" width="435" height="300" /><p class="wp-caption-text">Mago e vidente</p></div>
<p style="text-align:justify;">Eu passei alguns meses afastado do blog por questões acadêmicas &#8211; terminando a dissertação &#8211; e agora estou tentando voltar aos poucos, escrevendo algumas vezes por semana. Vamos ver no que dá. De qualquer forma, gostaria de escrever sobre alguns assuntos, de uma forma meio superficial mesmo, exumando idéias esquecidas. O cérebro é um músculo como outro qualquer, e a parte do meu que cuida da escrita anda tão atrofiada quanto meus braços de halterofilista de livros. Gosto do feedback que recebo especialmente no que tange a inferências e desdobramentos das coisas que comento aqui.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas então, hoje eu gostaria de escrever um pouco sobre fantasia e ficção.<span id="more-1028"></span></p>
<p style="text-align:justify;">A revista Wired trouxe em seu site uma <a href="http://www.wired.com/underwire/2011/07/alan-moore-league-1969/" target="_blank">longa entrevista</a> com o mago Alan Moore. É bem extensa, mas como sempre, Moore é, se não genial, se não lunático, mortalmente interessante. Ele sempre foi o tipo de gente que traz idéias novas, que muda as coisas, que oxigena debates. Gostaria de destacar um trecho:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">And one of the things that strikes me most about superheroes as they currently stand, is that these are heroes, as the term implies. These are people who stand unflinchingly against tyrants and oppressors, who protect and support the underdog, who are fearless and noble in everything that they do. I’m starting to feel that the most significant part of the superhero makeup is that part which is not talked about, the fact that these triumphant paragons are being created by an industry of people who are frightened to ask for a raise, the rights to their work, and, especially after seeing what happened to Gardner Fox and the others, to form a union.</p>
<p style="text-align:justify;">This is why I split from the comics industry. The way it had handled The Black Dossier certainly propelled me into other directions away from comics, to the point where the League is my only expression in the comics field and is likely to remain to so for the foreseeable future. When that happened, the nearest we got to supportive comments from the rest of the industry was along the lines of useful advice like, “Don’t bite the hand that feeds you.” I’m not expecting the writers and artists of the industry to go out and struggle with Galactus, should he turn up suddenly and threaten to eat the world. Of course I’m not. I’m just asking them to show a little bit of ordinary human courage. I think that if they had done that, then the industry would probably not be in the state that it is.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">O búlgaro Tzvetan Todorov, autor de um célebre <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/194367/introducao+a+literatura+fantastica" target="_blank">livrinho</a> de introdução à literatura fantástica, tem algumas teorias sobre como considerar gêneros e espécies narrativas. Um gênero é algo difícil de explicar. Nas ciências naturais, segundo Todorov, a relação é mais fácil de entender. Por exemplo: o gênero dos gatos (<em>Felis</em>) dá origem às espécies gato doméstico (<em>Felis silvestris catus</em>) e gato-da-selva (<em>Felis chaus</em>). As orelhas extremamente pontudas desses últimos não fazem de todos os gatos animais com orelhas extremamente pontudas, fazem tão somente desses animais do gênero gato, mais especificamente de uma espécie com um peculiar conjunto de orelhas quase-élficas. A ideia abrangente não se molda com base na sua delimitação das espécies no caso particular. Um gato vai ser sempre um gato, a despeito de suas orelhas. Mas na arte &#8211; e talvez em grande parte do conhecimento humano &#8211; a coisa muda de figura.</p>
<p style="text-align:justify;">Na arte uma sub-espécie contamina, com seu impacto, a própria ideia do seu gênero. Por exemplo, imagine a música. Suponha uma cultura em que a canção popular, vista como um elemento narrativo que expressa certos valores sociais comunitários, é dominante. Imagine que seja então introduzido o Rap, com suas melodias e letras agressivas, com profundo teor de crítica social. Subitamente música não é mais somente aquilo que se pensava anteriormente, mas pode, então, ser tanto um como outro. O leque de possibilidades fica um pouco mais amplo. Assim, lidar com arte é, intrinsecamente, um trabalho de explorar os limites do próprio conceito originário. O que antes se conhecia como arte passa a ser um conceito defasado, há agora uma nova forma, a arte cresce.</p>
<p style="text-align:justify;">O chamado gênero artístico (seja literatura de gênero, música de gênero ou mesmo cinema de gênero) é, então, uma categoria em que se enquadra tudo aquilo que não está assumindo a vocação transgressora da arte. Se você escreve um livro que usa ferramentas que já existem pra contar uma história que já foi contada, então você simplesmente re-edita uma história. Por mais que esteja emulando artistas brilhantes, o fato é que se está seguindo um padrão, um gênero. Por exemplo, eu posso simplesmente me dedicar a escrever um conto policial ao modo de Patrícia Highsmith, ou um romance ao modo Raymond Chandler. Mas ao fazer isso, o que eu estarei realizando não é uma obra de arte (nesse sentido transgressor que já mencionei), mas uma obra de gênero policial. Essa obra é identificável por sua semelhança a padrões de outras obras do gênero.</p>
<p style="text-align:justify;">Isso é especialmente bacana quando vamos analisar coisas que não encaixam bem em seus gêneros. Um dos gêneros mais prolíficos no cinema atual é o dos filmes de super-heróis. Blockbusters de verão, são películas com muitos efeitos especiais, histórias semelhantes (com arcos extremamente limitados e repetitivos de histórias que começam com a apresentação do personagem, um confrontamento e sua redenção final, sem muita variação disso) e apelo comercial profundo. Mas quem assiste às cenas do Coringa de Heath Ledger no Dark Knight de Christopher Nolan não deixa de sentir desconforto em encaixá-lo nessa categoria. Não foi à toa que foi um papel vencedor do Oscar (não que o Oscar valha mais isso tudo hoje em dia, mas enfim). Não se trata de um mero vilão de quadrinhos, mas sim de uma obra de arte que re-define limites. Mais ou menos, como, por exemplo, a série dos filmes do agente Jason Bourne, que redefiniram os filmes de ação, criando uma espécie de ação hiper-realista. Ou os filmes Matrix, dos irmãos Wachowsky, que derem origem a uma linhagem de filmes profundamente dependentes de efeitos especiais (curiosamente o profundo argumento filosófico do filme não trouxe muitos frutos, comprovando o pensamento zombeteiro de que quem filosofa demais não se reproduz). Obviamente isso não se restringe ao cinema, existem certos artistas que são simplesmente difíceis de encaixar. Nunca vou me esquecer do finado Audiogalaxy, que qualificava Jamiroquai em incríveis 40 (!) gêneros musicais diferentes.</p>
<p style="text-align:justify;">The Dark Knight não é um filme de gênero. Thor é. Uma revista tradicional do Batman é um exemplar de um gênero de quadrinhos. A graphic novel A Piada Mortal, por sua vez, também de autoria do já mencionado Alan Moore, passa longe desse estereótipo. É uma obra de arte mesmo num sentido bastante estrito. Outra história igualmente avassaladora (sou foda e esculacho) é justamente Watchmen, do mesmo autor. Se você mora embaixo de uma pedra bem grande, suja e remota, eu apresento: trata-se de uma história em quadrinhos que contextualiza o gênero dos quadrinhos, com todos seus lugares-comuns, num mundo profundamente realista. Realista inclusive não só no contexto político de guerra fria, mas também nas aspirações e desejos dos personagens. Há personagens que demonstram simpatia para com o estupro, há apologia à violência catártica, há heróis que demonstram impotência sexual. Nunca antes na história desse multiverso um herói superpoderoso foi tão frágil. O gênero do super-herói levou uma bofetada na cara, com um sujeito barbudão e cara de mendigo enfiando um dedo indicador em riste em sua cara e dizendo &#8220;você não é um semideus, você não é Aquiles, você não é Gilgamesh, você é MOLEQUE, tira essa roupa que você é ser humano!&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>(Não que os heróis gregos não sejam humanos,  são demasiado humanos, inclusive, mas eles tem uma pretensão épica de poder/valor de serem sobre-humanos, além do humano. Isso que é algo que eu espero trabalhar depois, inclusive. Mas importa, por enquanto, definir que, mesmo enquanto espiritualmente humanos, esses heróis eram, por força de sua condição/natureza, algo além do restante da natureza dos homens)</em></p>
<p style="text-align:justify;">O mercado dos quadrinhos sobrevive explorando o gênero, com raras e contribuições que o redefinem, tendo em sua maioria histórias que simplesmente se reaproveitam de elementos já colocados no cânone cultural. Percebam que não existe, ao menos na minha concepção &#8211; e eu penso que Todorov concordaria comigo &#8211; &#8220;filme de arte&#8221; e &#8220;filme de gênero&#8221;, pra citar uma arte específica. Digo isso no sentido de que não é possível afirmar que exista uma categoria &#8220;filme de arte&#8221;, sob pena de tornar o &#8220;filme de arte&#8221; um gênero (!). Todos os filmes, são filmes, e em alguns elementos eles aproveitam da linguagem pré-constituída (é impossível estabelecer diálogo sem nenhuma linguagem compartilhada), em outros eles modificam a arte. Há filmes que não modificam em rigorosamente nada a arte, e não há nisso nenhum problema essencial. Há filmes que se propõem a reinventar a arte e, nesse desiderato, concluem que a melhor forma de contestar o status quo é fazer da roda quadrada &#8211; esquecendo que seu objetivo é, finalisticamente, girar. Mas, enfim, essa é uma digressão.</p>
<p style="text-align:justify;">É natural do mercado pensar de modo utilitarista. Afinal, a arte (seja ela de gênero ou não) é um meio de alcançar algo, a renda. E nisso me abstenho de formular qualquer juízo de valor.  O paradoxal &#8211; e praticamente trágico &#8211; na situação mencionada por Alan Moore não é a mera subserviência ou imposição opressiva do empregador. Isso existe desde que o mundo é mundo, desde que há alguém que manda e alguém que obedece (não que precise ser uma relação opressiva necessariamente). Mas a situação em si carrega notas lúgubres de uma melodia irônica, em que alguém que tem por ofício fazer a arte, mais especificamente, destrinchar os limites do super-humano, é desarmado da possibilidade de influir nos destinos do seu próprio trabalho. Assim que li esse comentário fiquei matutando uns bons minutos sobre a questão. Todos nós, em nossas ocupações tradicionais &#8211; na nossa visão normal do trabalho como parte intrínseca da nossa existência como ser social &#8211; somos limitados de alguma forma. Mas creio serem poucos que são necessariamente vinculados, em nossos ofícios, com o ilimitado.</p>
<p style="text-align:justify;">O trabalho de um médico é seguir os manuais de medicina, conhecer a fundo o corpo humano e fazê-lo funcionar adequadamente. Um advogado, é conhecer as leis, e torcê-las ou defendê-las da forma que beneficie ao máximo seu cliente. O trabalho de um artista de gênero de super-heróis é inspecionar, diuturnamente, a conexão entre o limite do ser humano e o que nele não cabe (e não cabe na despensa). Eu lembro de ter lido em algum canto &#8211; minha memória é terrível &#8211; que a mitologia relacionada a viagens espaciais surgiu exatamente quando o homem adquiriu tecnologia para conhecer aproximadamente a superfície terrestre. Era preciso algo desconhecido para servir de carvão pra nossa fogueira das possibilidades. Como poderia existir um mundo diferente, quais são as possibilidades?</p>
<p style="text-align:justify;">Espero trabalhar em breve um pouco do sentido e função do realismo fantástico, mas queria encerrar este longo comentário ressaltando com as cores mais fortes possíveis, os motivos pelo qual eu considero a situação do gênero dos super-heróis tão crítica atualmente. Nós vivemos em tempos pouco afeitos à fantasia. Parece paradoxal falar isso em tempos de <em>revival</em> potteriano por causa do último filme, mas é justamente uma exceção comendável, que conseguiu aliar o ímpeto do mercado voraz a uma pretensão de exploração do domínio do impossível, do absurdo, do fantástico. Talvez os livros de George R. R. Martin sejam outra notável exceção, mas planejo falar sobre isso depois. Mas a situação comum é a de um sujeito que precisa escrever/desenhar sob padrões tirânicos de salário e tempo, enquanto imagina um mundo que precisa, em essência, ser dissociado do real. Eu não trabalho com isso, mas imagino que seja uma situação agridoce em que você é capaz de intuir seu próprio remédio, num escapismo perfeitamente compreensível. Bom seria se eu pudesse viver sem por meus pés nesse chão sujo, logo eu, que tenho em meu ofício ensinar os outros a voar.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa é uma reflexão que passa pela discussão do papel do trabalho na sociedade, e o papel da arte também. Mas este é um post que já cresceu demais. Pretendo retomar alguns de suas pontas soltas adiante, fico feliz se receber alguma sugestão ou crítica. De qualquer forma, obrigado a todos que aguentaram ler até aqui :)</p>
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		<title>Uma teoria hipotética e irrelevante por um significado possível entre tantos possíveis</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jul 2011 07:18:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Artur Cabral</dc:creator>
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		<category><![CDATA[harry potter]]></category>

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		<description><![CDATA[Sigam comigo um exercício mental. De todas as páginas que deram origem ao filme Harry Potter e as Relíquias da Morte (partes um e dois), poucas me interessaram mais do que a história desses tais ítens que servem de título &#8230; <a href="http://riversidehotel.wordpress.com/2011/07/19/uma-teoria-hipotetica-e-irrelevante-por-um-significado-possivel-entre-tantos-possiveis/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=1025&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/07/220px-deathly_hallows_sign-svg.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-1026" title="220px-Deathly_Hallows_Sign.svg" src="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/07/220px-deathly_hallows_sign-svg.png?w=640" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sigam comigo um exercício mental.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">De todas as páginas que deram origem ao filme Harry Potter e as Relíquias da Morte (partes um e dois), poucas me interessaram mais do que a história desses tais ítens que servem de título para a película, que de totalmente ignorados no universo potteriano surgiram direto na vitrine. Com sua permissão, vou apresentar de forma bastante resumida a história, e argumentar alguma coisa a seguir.<span id="more-1025"></span> A história é mais ou menos a seguinte: três irmãos, em certo momento, se deparam com um rio caudaloso e bravio, cuja travessia seria perigosa e de sucesso incerto. Seu destino seria catastrófico, se não fossem, na verdade, três poderosos magos. E, como magos, os irmãos juntam-se para conjurar uma ponte sobre o rio. Ocorre que ali, à espreita, já estava a Morte, aguardando o fim destinado daqueles três homens, que deveriam descansar no leito do rio. Suas habilidades mágicas &#8211; e sobrenaturais &#8211; lhes concedeu uma vantagem sobre a morte, que não se satisfez com o ocorrido. A Morte então revelou-se aos irmãos, rendeu-lhes loas de apreciação, por sua argúcia e poder. Como prêmio por sua grandeza, a morte concederia a cada um um presente de sua escolha. Um dos irmãos pediu uma varinha que fosse entre todas a mais forte, e que o tornasse capaz de subjugar qualquer oponente. Outro, ainda ferido pela morte de sua amada, pediu uma forma de negar os efeitos da morte. O terceiro irmão pediu somente que lhe fosse dada a graça de fugir dos olhos da morte. O resultado é previsível, na toada das histórias medievais, ou mesmo das tragédias gregas: nenhum vício será perdoado, e a busca pelo poder imerecido em algum momento volta para cobrar o seu preço, uma espécie de justiça divina ou diabólica. O primeiro irmão, de posse de sua varinha destruidora finda assassinado durante o sono por outros magos invejosos de seu poder. O segundo, ao receber uma pedra que o permite ver os mortos, se ressente de sua incapacidade de estar em definitivo com sua amada. A pedra não cancela a morte, tão somente possibilita a comunicação com aqueles que permanecerão a uma morte de distância, no hades. Só sobra uma forma de estar para sempre com seu amor, passando pro seu lado, abraçando a morte e despedindo-se da vida. E foi assim que esse irmão suicidou-se. O terceiro, porém, recebeu uma capa que o tornava invisível, e permaneceu incógnito por anos e anos, por mais que a Morte se esforçasse em buscá-lo por todos os lados. Somente após muito tempo, quando já idoso, aquele homem entregou a capa a seu filho, e revelou-se para a Morte, que o recebeu como um amigo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O fim dos três irmãos foi o mesmo, mas o caminho escolhido por cada um para alcançá-lo é bastante significativo. São histórias que começam na rejeição da morte, e possuem um efeito pedagógico, demonstrando que, afinal, a morte não é um acaso, ela simplesmente é. A morte é muito mais que um evento, é um lugar, um ponto necessário. Mas vamos falar um pouco sobre cada uma. O primeiro irmão, ao pedir uma arma, afirmou, em sua escolha, a supremacia do valor do poder. Esse poder que, em si, é uma satisfação da morte. O primeiro irmão pede uma arma de matar, e assim faz de seu poder instrumento da morte. E a morte vence, tanto na teoria quanto na prática. Na prática, pois o homem morre fruto do ciclo de violência que ele mesmo ensejou. Na teoria, pois o valor final da equação escolhida foi: a morte sempre vencerá. O segundo irmão não seguiu o caminho da destruição, mas foi igualmente macabro. Ao por em prioridade os mortos, o homem definiu: o que vive vale menos que o que não vive. Logo, ele, que vivia, era menos que aquilo que não vivia, já que, sem aquilo, ele não podia viver. Ele negou a morte para negar também a vida. E, ao confirmar que a vida na forma como ela se apresenta naturalmente &#8211; limitada pela morte &#8211; não lhe apetecia, escolheu o caminho sem limites, a morte. A morte triunfa, na teoria e prática. Mas é na história do terceiro irmão que surge um valor diferente. Após rejeitar a morte, aquele homem insiste em sua rejeição. Ele se esconde, e evita a morte no limite das suas forças. Essa negação só se altera em um ponto, quando surge algo mais importante que a própria vida, um valor superior a ser afirmado que a vida em si. Esse valor não é, como no caso dos dois irmãos anteriores, a morte. O terceiro irmão abdica da vida para proteger seu filho, uma vida que é objeto de seu amor. Ao aceitar a morte, o homem o faz afirmando não só o valor da vida de sua prole, mas como do valor da própria vida como um elemento finito, com começo, meio e fim. Que tudo que começa precisa, um dia, terminar. A morte, aparentemente, vence, pois alcança também o terceiro irmão. Mas trata-se de uma vitória somente aparente. Na prática, o homem viveu uma vida longa, frutífera, escolhendo inclusive quando terminá-la, da forma como achou apropriado. Ele morreu, mas de uma forma totalmente diferenciada. Na teoria também, mesmo aceitando a morte, o faz com evidente afirmação da vida, tanto da própria como daqueles que ama.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Na minha modesta opinião, a equação do terceiro irmão trinca quando ele vai além do egoísmo. E estilhaça de vez quando ele compreende a importância de uma vida com significado. E são essas as duas mensagens principais ao final desse volume da história do menino bruxo que morava embaixo da escada. Pior que a morte é viver uma vida sem amor e sem significado. Quando ao seu redor só há morte e destruição, há ainda um valor a ser defendido com todas as forças: aquele que roga que toda a vida que resta seja, por si e independentemente de qualquer outra coisa, excepcional. O estoicismo proveniente do enfrentamento das adversidades é isso. O menino que sobreviveu perdeu tudo. Mas sobreviveu, protegido por aqueles que o amam, e, nessa vida, protegeu aqueles que ama, e neles sobreviverá, mesmo depois de morrer. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Me parece uma razão suficiente para ler, assistir e até mesmo para viver. Entre tantas possíveis, claro. Quantas mais melhor. Toda arte se justifica assim, não é?</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/riversidehotel.wordpress.com/1025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/riversidehotel.wordpress.com/1025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/riversidehotel.wordpress.com/1025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/riversidehotel.wordpress.com/1025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/riversidehotel.wordpress.com/1025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/riversidehotel.wordpress.com/1025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/riversidehotel.wordpress.com/1025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/riversidehotel.wordpress.com/1025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/riversidehotel.wordpress.com/1025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/riversidehotel.wordpress.com/1025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/riversidehotel.wordpress.com/1025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/riversidehotel.wordpress.com/1025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/riversidehotel.wordpress.com/1025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/riversidehotel.wordpress.com/1025/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=1025&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Jair Bolsonaro: Um homem do seu tempo &#124; Em drops</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 23:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Artur Cabral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[1 &#8211; Jair Bolsonaro é um reacionário de primeira linha, e isso não é surpresa pra ninguém, ao menos não deveria ser. A despeito do seu partido &#8211; Partido Progressista (!) &#8211; ser da base aliada do governo petista durante &#8230; <a href="http://riversidehotel.wordpress.com/2011/03/29/jair-bolsonaro-um-homem-do-seu-tempo-em-drops/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=1016&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1 &#8211; Jair Bolsonaro é um reacionário de primeira linha, e isso não é surpresa pra ninguém, ao menos não deveria ser. A despeito do seu partido &#8211; Partido Progressista (!) &#8211; ser da base aliada do governo petista durante as eleições, Bolsonaro é reconhecido por ser o mais falastrão de todos os conservadores do país. Se há algo próximo a um ultra-conservador no Brasil, é ele.</p>
<p>2 &#8211; Que de um falastrão reacionário venham preconceitos, também não é surpresa nenhuma. Ele apareceu no CQC disparando comentários preconceituosos. Se ir ao CQC pode ter sido algo surpreendente, o teor das suas opiniões não é. As bancadas &#8220;moralistas&#8221; repetem as mesmas opiniões, mas com menos veemência e apreço pelas câmeras. Ou seja, é o mesmo conservadorismo, mas mais envergonhado.</p>
<p>3 &#8211; A despeito dos preconceitos toscos de Bolsonaro, ele não &#8211; me parece ser o caso &#8211; cometeu crime algum. Só externou sua visão caolha carregada de preconceitos. E, convenhamos, ser imbecil não é crime, nem aqui nem em lugar nenhum. Aliás, via de regra, quando opinião é punível, crime é ser inteligente e discordar. Ele discorda, mas só isso, na opinião, sem ação além da política, e sem inteligência.</p>
<p>4 &#8211; Na sua ação política ele tenta obstaculizar e emparedar todas as correntes ideológicas divergentes. Isso acontece por sua concepção de vida pública ser incapaz de receber a diversidade de opiniões e projetos de vida. Como a única verdade possível é a sua, todas as outras verdades dissonantes devem ser reprimidas. É tosco e absurdo, mas faz sentido.</p>
<p>5 &#8211; Pessoas toscas e absurdas existem aos montes. Nós, como presumivelmente não-toscos e não-absurdos (Camus que me perdoe) &#8211; e eu mesmo ando duvidando dessas duas últimas premissas &#8211; não podemos tratá-los com a mesma moeda, sob pena de legitimar seu argumento exclusionista. Para isso que existe o tal Estado de Direito, uma ficção bacaninha, mas que tem lá suas utilidades, como definir critérios de justiça política.</p>
<p>6 &#8211; O que importa é que trogloditas morais como Bolsonaro não podem e não devem ser considerados como parâmetro. Seu argumento de &#8220;tolerância&#8221; &#8211; que, infelizmente, é compartilhado por muitos &#8211; é daninho. Não basta tolerância, é preciso reconhecimento. É preciso observar, nos planos de vida divergente, direito a escolher seus próprios valores, coisa que Bolsonaro simplesmente nega.</p>
<p>7 &#8211; O Direito não pode ser feito por pessoas como Bolsonaro, que não aceitam a diversidade, sob pena de assim excluir elementos da sociedade. Bolsonaro está errado e merece ser relegado ao ostracismo político como lembrança desgastada de um tempo caquético daquele aborto de regime jurídico, o regime ditatorial que está prestes a fazer aniversário. Só vamos nos livrar dessa sombra quando aprendermos a superá-la.</p>
<p>8 &#8211; Essa superação só estará completa no reconhecimento. Quando criaturas incapazes de enxergar alteridade &#8211; de ver o outro como pessoa &#8211; não atravancarem mais o desenvolvimento do país. O tempo de Bolsonaro, nefasto com sua &#8220;permissividade&#8221; doentia, precisa passar. Direito não é, e não pode ser nem concessão nem caridade. É DIREITO. Dar o Direito a quem deve, por ser pessoa e cidadão. É esse o novo tempo desejado.</p>
<p>X &#8211; Parto da presunção de boa-fé de Bolsonaro, que ele não cometeu crimes de homofobia (?) ou racismo. Posso estar evidentemente errado nesse ponto, cabe a Justiça dizer, se provocada.</p>
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		<title>Jair Bolsonaro: homem de seu tempo</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 21:41:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Artur Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Persianas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Se algo não pode ser dito sobre Jair Messias Bolsonaro, é que ele não seja um homem de seu tempo. Militar da reserva, entrou na política determinado a defender os valores da caserna. Deus, Pátria e Família, unidos em &#8230; <a href="http://riversidehotel.wordpress.com/2011/03/29/jair-bolsonaro-homem-de-seu-tempo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=1010&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_1011" class="wp-caption aligncenter" style="width: 585px"><a href="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/03/29_bolsonaro.jpg"><img class="size-full wp-image-1011" title="29_bolsonaro" src="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/03/29_bolsonaro.jpg?w=640" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">crédito: jornal O Dia</p></div>
<p style="text-align:justify;">Se algo não pode ser dito sobre Jair Messias Bolsonaro, é que ele não seja um homem de seu tempo. Militar da reserva, entrou na política determinado a defender os valores da caserna. Deus, Pátria e Família, unidos em prol do crescimento da nação. Quando Bolsonaro, em entrevista ao programa CQC &#8211; Em que pese a lástima de ter de ser um programa do nível do CQC o único a se propor a beliscar alguém influente -, chocou a sociedade com seus comentários &#8220;intolerantes&#8221;, e o fez com tranquilidade e segurança. Nada mais natural.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma democracia constitucional é, em tese, composta por opiniões divergentes que convergem sobre uma pequena fração da vida: a vida política. A noção de espaço público, legitimidade do Estado e do Império da Lei, digamos assim. Você pode ser cristão, mas precisa, por exemplo, seguir o Estatuto da Criança e do Adolescente, no que concerne à proibição de castigos violentos, mesmo que em trechos da Bíblia cristã seja aconselhado ao pai que use da força para &#8220;corrigir&#8221; os filhos. Ressalte-se que há cristianismos e cristianismos, estou somente explicitando um entre tantos, e não é meu objetivo aqui criticar nenhum. Esse pai hipotético seria forçado a limitar sua ação no escopo do convencionado politicamente. Da mesma forma como pais de outros credos, etnias e afins. Essa área de convergência &#8211; a qual John Rawls dá o nome de &#8220;consenso sobreposto&#8221; deve se referir somente ao básico das nossas vidas, bastando que seja resguardado o direito de cada um de desempenhar sua razão e consciência de forma livre, bem como fazer uso de suas faculdades morais para definir o que lhe é justo. Não se espera, mesmo numa democracia constitucional, uma espécie de mistura de todos os credos em uma amálgama ideológica. Não, isso não faria sentido, visto que muitas crenças são inclusive antagônicas, insustentáveis mutuamente. Se há, por exemplo, dois credos monoteístas diferentes, bom, há alguém aí que é ateu e não sabe, dependendo do ponto de vista. O que é desejado, na verdade, que haja uma espécie de bolha protetora na esfera pública que nos permita desenvolver quem nós somos, em nossas paixões e anseios, de forma desimpedida &#8211; contanto, claro, que não impeça simultaneamente alguém de desempenhar suas próprias paixões e anseios, caso este em que há formas politicamente asseguradas para solução do conflito, sabendo até onde pode-se ir ou não, mas sempre sob o abrigo do Estado de Direito.</p>
<p style="text-align:justify;">A conduta &#8211; para muitos repugnante, eu incluso &#8211; do parlamentar Jair Bolsonaro, na verdade não vai longe dos ideais de tolerância da democracia constitucional. No caso, Bolsonaro escolheu seu &#8220;conjunto de valores&#8221;, extremamente conservadores, e tem ao seu lado a Constituição, nessa escolha. Se eu quiser tomar para mim valores, por exemplo, Amish, e resolver viver numa fazenda longe da civilização moderna, felizmente eu posso. Contanto que eu cumpra com minhas obrigações legais, não há problema algum. Ninguém pode me obrigar a amar cidades ou calças jeans. Não é isso que se pede ao falar de tolerância. No sentido corriqueiro, tolerância implica em impertubabilidade. Assim, juízos morais como o do deputado Bolsonaro podem, constitucionalmente, simplesmente tolerar minorias do seu desagrado. Crime haveria se ele atacasse alguém na rua, como trogloditas volta e meia fazem por aí, açoitando homossexuais, em plena av. Paulista. Esse sim é criminoso, enquanto Bolsonaro não. Ele tolera a divergência, meramente declarando sua opinião contrária. Defender algo além disso seria advogar o crime de consciência, que, esse sim, tem um histórico terrível na experiência política humana. Na inflamada entrevista o deputado alegou que &#8220;não voaria num avião pilotado por cotistas&#8221;, e, aparentemente, se confundiu quando perguntado se concordaria com o romance de um de seus filhos com uma mulher negra, entendendo, diferentemente, que a pergunta se tratava sobre se seus filhos poderiam namorar uma negra específica, a Preta Gil, possuidora de valores aos quais, surpresa, ele se opõe. De qualquer forma: Jair Bolsonaro desqualificou &#8220;cotistas&#8221; e uma pessoa &#8220;promíscua&#8221; &#8211; estou dando a ele a presunção de boa-fé que não foi racista. E nem acho, sinceramente, que ele o seja. É preconceito evidente, mas, por si, isso não é crime. É no máximo sinal de mediocridade. Como pode isso ser considerado, em algum ponto de vista &#8211; que não o dele &#8211; justo?</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez o problema esteja exatamente na definição de tolerância. Ao &#8220;tolerar&#8221;, nós definimos uma linha: tudo bem, não vou me insurgir contra você aí fora, você fica na sua vida, eu na minha. E é isso que Bolsonaro faz: pretende se afastar de tudo e todos que vão contra sua ideologia. Não quer que o seu Estado os beneficie de forma alguma. Isso é a definição mais cruel de tolerância: eu legalmente tolero sua existência. Mas é aí que pretendemos, como Estado Democrático de Direito, ficar? Ou melhor, nós somos legalmente autorizados a manter esse estado de diferença, em que alguns podem tolerar outros, até na medida em que estes podem ou não ter direitos?</p>
<p style="text-align:justify;">A resposta é simples: não, não podemos. Quando mencionei acima sobre o &#8220;consenso sobreposto&#8221;, temos nesse pequeno espaço de convergência política todas as garantias para que possamos nos desenvolver como pessoas livres. O que eu preciso para me desenvolver não passa pela &#8220;autorização&#8221;, quem dirá &#8220;tolerância&#8221; de ninguém. Eu não preciso de tolerância, preciso é de reconhecimento. Ser reconhecido como cidadão, e, portanto, digno de formular meus próprios princípios morais, e escolher o que eu quero. Se eu quero ser hindu ou cristão, é problema meu. Se eu quero ser hétero, homo, bi, pansexual, também não é problema de ninguém. Logo, pelo poder das minhas escolhas, eu devo ser reconhecido como cidadão atuante. E nenhum direito civil, conferido a qualquer cidadão, me pode ser negado. União civil (eu pessoalmente acho que se casamento é religioso então tem de ser removido dos textos legais, passando a ser união civil pra todo mundo), adoção, herança, tudo mais. Isso não tem discussão, é direito fundamental, não precisa passar pela autorização ou sequer tolerância de ninguém. Você não respira porque eu tolero, respira por ser um ser vivo, objeto de direitos que já possuiria antes mesmo (ou a despeito) de ser cidadão. Nós precisamos ir além do meramente tolerar o diferente, precisamos passar a reconhecê-los como iguais em plenitude, pessoas com temores e sonhos como nós, que fizeram escolhas eu simplesmente nasceram diferentes. Todas as concepções éticas e morais de vida precisam se confrontar com o fato de que elas não são únicas, felicidade, mais que fórmula, é um acaso que acontece para mim e para você de jeitos diferentes. Mais importante, precisamos apoiar sim aqueles que, mesmo sob a promessa de que todos os humanos nascem iguais em liberdades e direitos, nascem, e logo que nascem se deparam com tanta diferença e tanta injustiça. Há um famoso spiritual norte-americano que diz: &#8220;enquanto um de nós ainda for escravo, nenhum de nós será livre&#8221;. Hoje todos nós somos escravos do tempo de Jair Bolsonaro. Que ele fique para trás e possamos um dia viver num Estado de homens e mulheres livres e iguais, em outro tempo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/riversidehotel.wordpress.com/1010/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/riversidehotel.wordpress.com/1010/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/riversidehotel.wordpress.com/1010/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/riversidehotel.wordpress.com/1010/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/riversidehotel.wordpress.com/1010/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/riversidehotel.wordpress.com/1010/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/riversidehotel.wordpress.com/1010/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/riversidehotel.wordpress.com/1010/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/riversidehotel.wordpress.com/1010/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/riversidehotel.wordpress.com/1010/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/riversidehotel.wordpress.com/1010/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/riversidehotel.wordpress.com/1010/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/riversidehotel.wordpress.com/1010/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/riversidehotel.wordpress.com/1010/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=1010&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Chesterton, on Logic</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Feb 2011 07:57:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Artur Cabral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;The supreme value of Carlyle to English literature was that he was the founder of modern irrationalism; a movement fully as important as modern rationalism. A great deal is said in these days about the value or valuelessness of logic. &#8230; <a href="http://riversidehotel.wordpress.com/2011/02/26/chesterton-on-logic/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=1005&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align:justify;">&#8220;The supreme value of Carlyle to English literature was that he was the founder of modern irrationalism; a movement fully as important as modern rationalism. A great deal is said in these days about the value or valuelessness of logic. In the main, indeed, logic is not a productive tool so much as a weapon of defence. A man building up an intellectual system has to build like Nehemiah, with the sword in one hand and the trowel in the other. The imagination, the constructive quality, is the trowel, and argument is the sword. A wide experience of actual intellectual affairs will lead most people to the conclusion that logic is mainly valuable as a weapon wherewith to exterminate logicians.<span id="more-1005"></span></p>
<p style="text-align:justify;">But though this may be true enough in practice, it scarcely clears up the position of logic in human affairs. Logic is a machine of the mind, and if it is used honestly it ought to bring out an honest conclusion. When people say that you can prove anything by logic, they are not using words in a fair sense. What they mean is that you can prove anything by bad logic. Deep in the mystic ingratitude of the soul of man there is an extraordinary tendency to use the name for an organ, when what is meant is the abuse or decay of that organ. Thus we speak of a man suffering from ‘nerves,’ which is about as sensible as talking about a man suffering from ten fingers. We speak of ‘liver’ and ‘digestion’ when we mean the failure of liver and the absence of digestion. And in the same manner we speak of the dangers of logic, when what we really mean is the danger of fallacy.</p>
<p style="text-align:justify;">But the real point about the limitation of logic and the partial overthrow of logic by writers like Carlyle is deeper and somewhat different. The fault of the great mass of logicians is not that they bring out a false result, or, in other words, are not logicians at all. Their fault is that by an inevitable psychological habit they tend to forget that there are two parts of a logical process–the first the choosing of an assumption, and the second the arguing upon it; and humanity, if it devotes itself too persistently to the study of sound reasoning, has a certain tendency to lose the faculty of sound assumption. It is astonishing how constantly one may hear from rational and even rationalistic persons such a phrase as ‘He did not prove the very thing with which he started,’ or ‘The whole of his case rested upon a pure assumption,’ two peculiarities which may be found by the curious in the works of Euclid. It is astonishing, again, how constantly one hears rationalists arguing upon some deep topic, apparently without troubling about the deep assumptions involved, having lost their sense, as it were, of the real colour and character of a man’s assumption. For instance, two men will argue about whether patriotism is a good thing and never discover until the end, if at all, that the cosmopolitan is basing his whole case upon the idea that man should, if he can, become as God, with equal sympathies and no prejudices, while the nationalist denies any such duty at the very start, and regards man as an animal who has preferences, as a bird has feathers.&#8221;</p>
</blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/riversidehotel.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/riversidehotel.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/riversidehotel.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/riversidehotel.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/riversidehotel.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/riversidehotel.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/riversidehotel.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/riversidehotel.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/riversidehotel.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/riversidehotel.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/riversidehotel.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/riversidehotel.wordpress.com/1005/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/riversidehotel.wordpress.com/1005/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/riversidehotel.wordpress.com/1005/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=1005&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Metáforas</title>
		<link>http://riversidehotel.wordpress.com/2011/02/14/metaforas/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Feb 2011 20:10:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Artur Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Riverside]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu último post foi uma grande análise sobre relacionamentos. Hoje gostaria de falar/escrever um pouco &#8211; mentira, vai ser muito, creio &#8211; sobre outro tema do meu agrado, conforme vocês verão a seguir. P.S.: Acredite se quiser, eu cortei muita &#8230; <a href="http://riversidehotel.wordpress.com/2011/02/14/metaforas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=997&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/02/van-gogh-back-to-rome-after-22-years.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-999" title="Van-Gogh-Back-to-Rome-after-22-years" src="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/02/van-gogh-back-to-rome-after-22-years.jpg?w=640&#038;h=510" alt="" width="640" height="510" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Meu último post foi uma grande análise sobre relacionamentos. Hoje gostaria de falar/escrever um pouco &#8211; mentira, vai ser muito, creio &#8211; sobre outro tema do meu agrado, conforme vocês verão a seguir.</p>
<p style="text-align:justify;"><em> P.S.: Acredite se quiser, eu cortei muita coisa. Prolixidade, aqui me tens de regresso</em>.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>P.S.2: Eu estou consciente do tamanho e de que pouca gente vai ter saco de ler. Sem problemas.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Imaginem o seguinte: a casa é azul. Eu acabo de fazer uma mágica: transformei palavras em significado. Fiz com que você imaginasse uma casa com um atributo específico. Como uma partitura instrui o violonista sobre uma melodia, inclusive sobre como dedilhá-la, com suavidade ou vigor. Pronto, acabo de fazer mais outra mágica inofensiva: Eu menti para você descaradamente. Te disse que a minha ação de te fazer imaginar uma casa azul era algo que ela certamente não poderia ser, uma partitura. Se a casa é uma casa &#8211; azul ou não &#8211; ela não pode, obrigatoriamente, ser uma partitura. A não ser que concordemos que exista uma casa-partitura, mas aí seria algo tão específico que não atenderia aos critérios nem de uma categoria nem de outra. O que eu fiz então foi dizer: uma coisa é outra coisa. E eu fui mais uma vez desonesto: disse que essa seria uma mágica inofensiva. Ao mesmo tempo em que atribuí a essa ação o valor de mágica (que significa, de forma concomitante e paralela, que é uma ação mágica ou que parece uma ação mágica), estabeleci uma caracterização estática: de uma forma ou de outra, não causarei mal algum, é um pequeno jogo inofensivo. Opa, eu acabo de te conduzir de novo ao engano. E mais uma vez, agora.<span id="more-997"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Todo esse exercício de mentiras ilustrativas faz parte de uma das ações mais naturais do ser humano: elaborar &#8211; e discernir &#8211; metáforas. Não é como se nós simplesmente só as usássemos ocasionalmente. Metáforas são o cimento que consolida a formação das nossas ideias, simplesmente por se tratarem de um tipo entre as associações lógicas. Uma das funções cognitivas essenciais é o reconhecimento de padrões. Identificar fontes de perigo, elementos familiares (que nos trazem segurança), bons parceiros reprodutores, são todos aspectos da mesma herança evolutiva, o fato de que somos capazes de identificar elementos, conceituar categorias (e.g., predadores), e sistematizar esse pensamento. Se você vê uma cobra, imediatamente se lembra que aprendeu que cobras estão categorizadas como perigosas em sua mente. Essa é uma associação simples, direta. Cobra = PERIGO. Mas se alguém diz que aquela sua vizinha é uma jararaca, você vai saltar vários significados associados. A frase em si, Vizinha = Jararaca, não faz sentido &#8211; partindo do pressuposto que você não mora no zoológico. É uma mentira lógica. Mas o subtendido, toda a carga semântica que vem pendurada no termo, que faz toda a diferença.  A metáfora é uma ilusão, uma licença poética, um absurdo, mas que, de alguma forma, fala de forma mais pura e clara que o livro mais longo e descritivo.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/02/thomas_caravaggio.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1002" title="thomas_caravaggio" src="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/02/thomas_caravaggio.jpg?w=640&#038;h=528" alt="" width="640" height="528" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Metáforas já estiveram mais ou menos na moda. Na época de Shakespeare elas eram tidas na mais alta conta. A capacidade de elaborá-las era considerada um refinamento estilístico peculiar às mentes com instrução elevada. Na verdade, é essa a briga entre o romantismo e o racionalismo. O iluminismo, e o consequente cientificismo, trouxe a noção de que a linguagem precisaria ser clara para ser compreendida inequivocamente. Para que a comunicação se dê da forma adequada, com precisão, ela deveria ser conduzida com rigor, sem ambiguidades. E se tem algo ilógico na linguagem é uma disposição que é, em si, contraditória. Uma metáfora é, a rigor, ou um contra-senso factual ou uma analogia. Se eu digo que &#8220;O bode é uma casa&#8221; ou estou me contradizendo &#8211; na esfera factual em que bodes não são casas &#8211; ou estou estipulando uma relação entre dois elementos distantes que precisa de especificação posterior. Nesse último caso, mais adequado seria dizer &#8220;O bode, assim como uma casa, pode ser comercializado&#8221;, citando um exemplo. Assim eu estaria fazendo uma comparação, delimitando um ponto de contato entre dois conceitos díspares. Mas isso não é uma metáfora. A metáfora é, em si, subjetividade e subjacências, e daí tiramos seu significado especial. A diferença evidente entre os significados &#8220;factuais&#8221; e os analógicos é tão gritante que parece um absurdo que alguém chegue a confundi-los, ou tomar um pelo outro. Mas é justamente esse o ponto nevrálgico da incompreensão e intolerância diante da metáfora religiosa.</p>
<p style="text-align:justify;">O grande problema de uma metáfora é tentar sua decomposição em fatores lógicos puros. Se uma metáfora fosse, digamos, traduzida para um computador, ele enfrentaria um problema grave de início. Cada metáfora é, em si, um gato de Schrödinger, vivo e morto ao mesmo tempo. A metáfora significa, concomitantemente, e com a mesma pretensão de validade, uma informação &#8220;mítica&#8221; e uma &#8220;real&#8221;. As aspas são extremamente importantes aqui. A mera distinção de real é um valor em si. Se trabalharmos com um paradigma cientificista, de clareza e precisão, provavelmente o significado real será aquele mais concreto, objetivo. Acaso comecemos de um viés simbólico (em que pese que a própria expressão &#8220;simbólica&#8221; é em si valorativa, a ideia aqui é a de algo lastreado em uma realidade não-cientificista) toda a argumentação cientificista vai parecer tão somente uma versão entre outras, sem qual condão de universalidade. E isso se deve ao fato de serem duas linguagens totalmente distintas em método e finalidade, sendo ligadas somente pela sua matéria essencial: a comunicação, verbal ou não. Um motivo pelo qual a metáfora religiosa nunca encontrará aceitação pela ciência é o de que, simplesmente, ela se encontra em outra proposta de linguagem. Francamente, religião não tem nada a ver com mundo real. Contudo, se formos nos ater tão somente ao mundo real, o mundo como ele é, perderemos também diversas formas de manifestação simbólica denotativa. Se decretarmos a primazia da linguagem &#8220;factual&#8221;, estaremos, no mesmo movimento, declarando: a Arte morreu.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/02/12_vermeer_lg.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1001" title="12_vermeer_lg" src="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/02/12_vermeer_lg.jpg?w=640&#038;h=545" alt="" width="640" height="545" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Existem muitas questões sobre qual o sentido da Arte, qual é seu propósito, como se reconhece a Arte quando a vemos. Parta mim, a Arte é uma metáfora. É uma representação simbólica que estabelece, em sua essência, uma comunicação entre conceitos. Um quadro de Vermeer, ilustrando o porto da cidadezinha de Delft é, e não é, Delft. É, e não é, um porto. Há um lado &#8220;factual&#8221; &#8211; que informa que aquilo é um quadro habilmente pintado &#8211; e outro simbólico, que faz que seu processo cognitivo interprete-o como um porto de uma cidade pequena, tranquilo, numa bela manhã, com árvores tão reais que distraem sua atenção pro fato de que elas são pintadas de azul, não verde. Se descartarmos a metáfora perdemos a capacidade de analisar o impacto que uma obra como essa causa em nós. Isso porquê, para nós, intuitivamente, metáforas já são uma &#8220;linguagem natural&#8221; &#8211; ressalvadas as aspas com muito cuidado, discute-se a admissibilidade de coisa do tipo, ao menos no sentido mais direto da expressão. Meu sentido aqui é o de naturalidade, de linguagem corriqueira, padrão. Existe algo no ser humano que pede esse sentido lúdico das coisas. E não é nenhuma espécie de filosofia de para-choque de caminhão: nós precisamos de poesia, e representação, porque nossas ideias são muito mais ricas e complexas do que comporta nossa vã linguagem. Provavelmente levaria uma vida inteira para que alguém pudesse, digamos, catalogar todas as reações possíveis entre os seres humanos a um certo poema. Cada pessoa lê aquele texto em sua particularidade, e entres diversos adjetivos e sensações, o que é evidente é que nada, nenhuma descrição, por mais acurada, vai se equiparar ao deslumbre de admiração diante do poema em si. A opinião de um grande crítico pode encantar, mas já será outro encanto, direcionado, determinado. Somente a simbolização pura vai lhe dar a liberdade infinita da interpretação segundo seus olhos, segundo sua vida. Por isso, muito mais fácil do que empregar sua vida numa empreitada de coleção de respostas a um poema, é carregar esse poema consigo e reconhecer que cada resposta/interpretação decorrente dele será igualmente autêntica. É um produto da arte.</p>
<p style="text-align:justify;">Historicamente, a metáfora religiosa tem sua construção no folclore, nas tradições, na mitologia que alicerçam as formações de todos os povos e cultura. E o grande equívoco que muitas vezes ocorre é a presunção de que o seu sentido é o mesmo da linguagem empregada pelo cientificismo, racionalismo, iluminismo e etc. A grande razão pela qual religião e ciência não são concorrentes é por tratarem de linguagens diferentes. Da mesma forma que um time de futebol nunca vai ser concorrente de um de vôlei. A metáfora religiosa é uma construção histórico-cultural de mensagens e direcionamentos para uma vida correta de acordo com um determinado paradigma valorativo. E para isso os povos contaram lendas usando parábolas, anedotas, histórias de terrores ancestrais, animais como guias espirituais, entre tantas outras histórias. &#8220;Siga o conselho dos seus ancestrais e viverá uma vida boa&#8221;, a mensagem é mais ou menos essa. Tem uma passagem da cultura popular que eu acho excepcional, é do filme Rei Leão: Simba olha pro céu e vê seu pai nas nuvens, com seus antepassados. Somos nós procurando no mundo ao nosso redor alguma espécie de significado, alguma iluminação. São essas as metáforas que herdamos dos nossos pais.  Histórias que podem variar nos detalhes mas essencialmente possuem paralelos em diversas culturas. Subjacentemente, possuem uma mensagem a ser decifrada, interpretada. Engana-se aquele que lê poesia como quem lê uma receita de bolo, não sabe o que é poesia e deve cozinhar muito mal. Da mesma forma, aquele que vasculha textos sagrados por detalhes do &#8220;mundo real&#8221; está simplesmente equivocado. Mas isso não quer dizer, de forma alguma, que haja predominância de uma visão sobre a outra. Quer dizer, pode até existir, mas isso é &#8211; ou deveria ser &#8211; uma opção sua.</p>
<p style="text-align:justify;">A chamada pós-modernidade é vista como um período em que o homem é livre para autoafirmar-se, afirmar sua identidade e seus valores de uma vida digna. Existem concepções políticas que buscam tanto o extremo do materialismo &#8211; com uma vida toda voltada para elementos conexos com a temática racionalista e/ou cientificista &#8211; como de um &#8220;abstracionismo&#8221; &#8211; no sentido de negação do material, um metafisicismo, a busca de valores transcendentes ao quantificável, identificável, objetivável, que tragam em si uma verdade que exceda os nossos limites sensoriais. São propostas dignas. Eu, por exemplo, me considero um racionalista e materialista convicto, sem tempo pra perder com uma proposta metafísica de existência. Somos compostos químicos em ebulição e conflito, que com fins evolutivos criaram uma máscara de livre-arbítrio e razão consciente e incondicionada. O que não quer dizer que nós não tenhamos sentimentos, desejos, só que pra mim isso tudo faz parte do mundo real, a vida é  uma caixinha de areia em que precisamos aprender a brincar, desbravando seus limites.  E por isso talvez precisemos repensar a ideia de realidade.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/02/henri-matisse-joie-de-vivre-1905.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1003" title="henri-matisse-joie-de-vivre-1905" src="http://riversidehotel.files.wordpress.com/2011/02/henri-matisse-joie-de-vivre-1905.jpg?w=640&#038;h=461" alt="" width="640" height="461" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">No fundo eu acho que precisamos ter coragem para acreditarmos que a vida precisar ir além do evidente, pragmático. O real é o que acontece, o que existe, o que está documentado, é o plausível. Mas a vida é muito mais que isso, há certas coisas que só entram no mundo do real após acontecerem. A própria ciência recicla paulatinamente seus conceitos de realidade, reafirmando peremptoriamente  sua precariedade. Portanto, me parece mais do que adequado, preciso, dizer que realidade é uma mera consequência dos atos e fatos. Saber que nossa vida, nossas sensações, nossos estímulos, nosso amor, não precisam, de fato serem elementos em uma tabela periódica pré-existente. Realidade é uma constatação, não uma condição. E que nossas metáforas preferidas, nossas histórias com mais significado, podem ser reais para nós, em sua forma especial. No final da história não faz tanta diferença se seu conforto vem do seu deus, da sua tradição familiar, do exemplo dos seus ídolos, mas sim que somos seres humanos, e somos carentes de conforto, e significação. Somos máquinas baseadas em carbono cheias de químicos em ebulição com uma necessidade visceral de conceituar, traçar padrões complicadíssimos, com a finalidade de entender o mundo que nos cerca, entender a nós mesmos. No final da história, importa saber se a casa azul vai me fazer sentir seguro. Ou o inverso, vai me fazer questionar minha segurança. O significado interpretativo da metáfora não pode ser perdido. A metáfora presente na herança religiosa, ou nas artes, tem de ser interpretada como tal: uma forma de manifestação cultural.</p>
<p style="text-align:justify;">E que permaneça reverenciado o profundo monumento ao intelecto humano: a metáfora em si. Que nos dá várias mensagens em uma, e confia em nós mesmos para que possamos decodificar seu conteúdo. Que nos fornece informação e sonho, ilusão e fato. Poesia e Jornal Nacional. Sem nos dar uma solução direta, nos convida à reflexão. A metáfora é um sinal de nossa sofisticação, em um mundo gradativamente incapaz de entender subtextos e delicadezas. A linguagem factual nos instrui o mundo como ele é, a simbólica como ele poderia ser. Se entendermos esse equilíbrio veremos, com clareza, que uma preocupação constante em nossa espécie é justamente a busca de uma vida cada vez mais extraordinária. A vida é o sonho.</p>
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		<title>Como trapacear nos relacionamentos</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Jan 2011 03:18:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Artur Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Persianas]]></category>

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		<description><![CDATA[Vou te ensinar, nas próximas linhas, como trapacear nos relacionamentos. Parto do seguinte princípio: se relacionamentos fossem para dar certo, se fosse essa a previsão no seu projeto originário, metade da cultura humana jamais teria se formado, com inúmeras músicas &#8230; <a href="http://riversidehotel.wordpress.com/2011/01/06/como-trapacear-nos-relacionamentos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=992&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Vou te ensinar, nas próximas linhas, como trapacear nos relacionamentos. Parto do seguinte princípio: se relacionamentos fossem para dar certo, se fosse essa a previsão no seu projeto originário, metade da cultura humana jamais teria se formado, com inúmeras músicas sertanejas de dor-de-cotovelo e novelas cavalheirescas sobre paixões platônicas e amores inatingíveis tendo ficado no plano das ideias bregas. Não é à toa: amor, via de regra, dá errado. Essa percepção decorre por um fenômeno que eu, mui modesto, denominarei doravante como: FENÔMENO ONTOLÓGICO DA RESTRIÇÃO DA PROBABILIDADE, ou, em bom português, CHAVE-DE-CADEIA. Quando o herói &#8211; injustamente  aprisionado &#8211; vai escapar heroicamente &#8211; tudo que o herói faz é heroico, não reclame &#8211; ele SEMPRE só consegue fazê-lo na última chave. Não importa que o chaveiro tenha 5 chaves iguais, que o molho tenha 401 chaves de diferentes tamanhos e modelos. O homem (ou mulher. Ou bípede sensciente) desesperado sempre, SEMPRE conseguirá na última tentativa. Porquê? Porquê na tentativa que dá certo ele para de tentar, óbvio. Daí não precisa mais procurar, já deu certo. E o mar de tentativas pregressas sempre parecerão como perda de tempo, quando foram, ao seu jeito, sua forma de achar a chave certa. Então, evitando projeções freudianas, vamos às dicas. Como trapacear o destino &#8211; ou simplesmente impedir o mundo de atrapalhar seu curso.<span id="more-992"></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>1 &#8211; Talk, talk, talk!</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Converse, converse, converse. E, não se engane: justo o assunto que você não conversar com sua cara-metade vai ser o que vai te causar mais problemas. Você deixa o assento levantado? Você desarruma a toalha no banho? Nada dessas pequenas irritações; será aquele comportamento inesperado que vai causar a queda da sua civilização. Inclusive, é uma metáfora bastante apropriada. Relacionamentos são como civilizações. Eu mesmo já tive um namoro Império Romano. Longo, complexo, capaz de se relacionar com maestria com o mundo ao seu redor, mas que, em certo ponto, faltou coesão. Já se disse por aí que todo império perecerá. Errado. O que é preciso é adaptação, e a melhor forma de alcançar isso é através da discursividade. Contato constante dos medos e desejos, inseguranças e dúvidas. Não uma, nem duas, nem cem vezes em que você vai se desentender com a outra pessoa. A maior chance que você tem de passar a rasteira nas estatísticas do amor que dá errado é conversar, por mais difícil que pareça.</p>
<p style="text-align:justify;">Todo amor esbarra no estranhamento. Ninguém nunca ama algo alheio. Todo amor é, em tese, parte narcisismo. Você PRECISA de algo ou alguém que lhe parece similar, aparentado. Aquele mesmo gosto musical, os filmes, a rotina parecida. Ninguém ama alguém intrinsecamente diferente, já que, mesmo nesse caso concreto, estaria amando alguém que, como você, ama o diferente &#8211; no caso, você. Amor é identificação. Por isso a comunicação &#8211; e, assim, externar quem é você, ao menos para aquela pessoa &#8211; é essencial. E o grande vilão dos namoros/casamentos &#8220;eu-não-esperava-que-ela-fosse-assim&#8221; jamais vai te rondar. Conhecer seu amor (e deixá-la conhecê-lo, ou la, ou os dois, o qualquer coisa que esses tempos de moralismo linguístico de gênero exija) é essencial. Claro que haverá sempre algo por conhecer &#8211; é um sinal que você escolheu bem, chapa, ninguém que pode ser desvendado em 5 minutos vale a pena), mas é por acaso do tempo, que é eterno em decurso, não em princípio. O tempo é o <strong>JÁ!</strong> Repetido à exaustão, até o fim do tempo. Então pergunte-se hoje: o quão distante &#8211; em linguagem, conceito, ideias &#8211; você está do seu amor nesse exato momento? E agora? Imagine um gráfico, a distância  entre os dois precisa ser decrescente.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>2 &#8211; Time.</strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">Ticking away the moments that make up a dull day<br />
You fritter and waste the hours in an offhand way</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-style:normal;">Lembro-me como se fosse ontem. Um casal de amigos, que namorava há séculos, tinha acabado o namoro recentemente, um outro amigo me confidenciou. Eu, estupefato, pergunto: &#8220;mais acabaram porquê?&#8221;, como se fim de namoro fosse uma doença que tivesse até causa mortis definida. Talvez surpreso pela minha ingenuidade &#8211; que não é exatamente surpreendente, tanto por ser eu quanto por ser uma pergunta que todo mundo já se fez, com uma construção frasal ou outra &#8211; esse amigo limitou-se a responder: &#8220;amigo, daquilo que mata a maior parte dos namoros: o tempo. O tempo passou, o namoro acabou&#8221;. Sábias palavras. Muitos namoros envelhecem, apodrecem e morrem, passam da água pro vinho e depois pro vinagre. Certo, algumas relações não dão certo e estragam, mas outras não. Outras se tornam extremamente valiosas, não só por sua raridade mas por sua profundidade e complexidade. Sem querer entrar em papo de <em>sommelier</em>, mas se nota. Você tem bisavós casados a 60 anos? Seus pais estão casados a 30 anos e ainda fogem pra praia pra namorar, sozinhos, sem você de pentelho? Então, caro leitor, você sabe o que é um amor que soube resistir ao tempo.</span></p>
<p style="text-align:justify;">Lembra o que eu falei no item passado? Supondo que você não tem Alzheimer ou problemas cognitivos graves, meu argumento era pela aproximação dos polos da relação. Boa parte dos relacionamentos vitimados pelo tempo fenece por interpretar mal a verdade por trás desse meu conselho e argumento. Casais que se aproximam tanto que simplesmente não sobra mais nada lá fora. Quando tudo o que sobra é mesmice, então ficar sozinho é tão interessante quanto estar acompanhado, só que geralmente mais barato e engordando menos. É imprescindível que os relacionamentos se oxigenem regularmente. Coisas novas, ideias novas, lugares novos. Calma, não é como se todo mundo tivesse de ir correndo pra casa de swing mais próxima, não é isso. Mas ninguém é uma ilha, e ninguém é uma página só. Há muito mais complexidade nas personalidades e relações humanas a serem exploradas. Não é também só &#8220;vamos sair com casais&#8221;. É conhecer gente nova, aprender novas coisas, usufruir de todas as coisas que você precisa para manter sua alma (se é que isso existe, se não, chamemos de consciência) desperta, com algo além de eternos repetecos sem-graça. Um dos grandes trunfos de ter alguém para amar é poder olhar toda a beleza do mundo por dois pontos de vista ao mesmo tempo, trapaceando o universo que te fez nascer com um só, uma só criação, uma só cultura. Amigos também são uma ferramenta dessa mesma trapaça que nos permite falsear uma unidade com o mundo, mas no amor conseguimos ir mais longe, cavar mais fundo. Inclusive, uma das maiores ferramentas pra proporcionar essa conexão, é o tempo. Que nos dá alternativas, experiências, piadas internas que ninguém mais vai achar graça.</p>
<p style="text-align:justify;">Se for usado como um constante museu de grandes novidades, se te der espaço pra reinventar o pano-de-fundo onde vão se passar as ações do teatro do seu cotidiano, o tempo será teu aliado, e você jamais sentirá tédio. Mas se resumir-se ao conformismo e inação, este provavelmente será o fim do seu namoro ou afins: a irrelevância do caduco.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>3 &#8211; Karma Police, arrest this man!</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Você conhece alguém muito pela forma como ela reage quando perde os freios normais do superego e se autoriza momentaneamente a fazer bobagem. Quando casais brigam e falam coisas que não deveriam. &#8220;Ah, mas eu não queria dizer isso&#8221;, mentira, queria sim. &#8220;Mas não era isso que eu tava pensando&#8221;, sinto muito, chapa, mas Inception ainda não virou Psicanálise pra qualquer picareta fazer na sua esquina. O que pode acontecer é, de fato, você ter uma noção pré-construída nas profundezas de sua cabeça que é insustentável quando alcança ao ar livre do mundo real. &#8220;Eu odeio aquela vadia&#8221; que quando trisca nos dentes sai como &#8220;Eu te amo&#8221;. É assim que o mundo funciona, ninguém sabe direito o que pensa até ponderar um pouco a respeito, e nós geralmente ponderamos de menos e agimos demais. E enunciar &#8211; verbalmente ou por escrito, como faço agora, por exemplo &#8211; é uma das melhores formas de checar a consistência de uma ideia. Joga no papel e vê se fica a cara do Carlitos Tevez. Mentaliza aí o argentino. Não sabe quem é? Vai no Google que eu espero, é importante. Vai lá. Não sei nem se você é homem, mulher, gay ou hétero, NINGUÉM consegue achar o Tévez agradável aos olhos. Se você acha, vai assistir aquele filme, Crash &#8211; Estranhos Prazeres (não o do Paul Haggis, o do David Cronenberg) que sua turma é a que acha descarrilamento de trem &#8220;um lance bem fofinho&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Pra nós, do lado moderadamente civilizado da cerca, uma ideia que, esparramada no papel, no quadro, na moita, na conversa com amigos, e pareça ter a cara do Tévez é simplesmente um troço ruim demais que felizmente não deixou de ser ideia, lá encontrando seu fim dos seus dias, no museu das ideias ruins. Claro que ideias ruins podem dar bons resultados, vide Liv Tyler, mas isso é um acaso, não dá pra confiar que dê certo sempre. Mas provavelmente ideias dão sinal que não vão prestar, e você precisa cultivar o suave hábito de enunciá-las da forma que achar mais conveniente. Bons amigos, papel, conversar com estranhos no parque, falar sozinho enquanto varre a calçada, não importa. Vai fundo e pondere suas ideias, terá bons frutos. Só em não ficar por aí atirando burrices (que vai se arrepender depois) nos outros já é, em si, um grande ganho. Se conseguir não atirar nenhuma na pessoa que você mais ama, meu chapa, minha querida, você vai estar muito bem.</p>
<p style="text-align:justify;">E, no outro lado da moeda, está o que eu considero Regra de Ouro da vida em comunidade, sociedade, convivência e urbanidade. Tolerância e simpatia. Se você está irritado com algo que a outra pessoa disse, seu primeiro impulso pode ser dizer: caralho, eu exijo justiça. Eu demando melhor tratamento que isso. Eu quero que esse cara/essa menina se lasque como ela me lascou, que o coração dela sangre como o meu. Eu PRECISO que esse desconforto cesse, e a melhor forma dessa pessoa que me causou isso fazê-lo é devolvendo a pancada. Se você pensa assim, meu colérico leitor, ou você é um <em>consegliere</em> da Máfia ou um imbecil. Não que não haja<em> conseglieres</em> imbecis, mas enfim.</p>
<p style="text-align:justify;">Retribuição pode salvar seu orgulho, sua auto-estima, o respeito da gostosa da esquina, mas certamente não vai ajudar no seu relacionamento. Sobretudo quando você para pra pensar: e se a pessoa não faz por mal? Mas não tem como não ter sido por mal, ela fez isso, isso e aquilo. Ninguém faz isso sem ser por sacanagem. Então, meu míope leitor, você namora um(a) sacana? É isso? Você dá para idiotas e resolveu assumir o culto à imbecilidade como sendo seu legítimo joie de vivre? Você é IMBECIL? Você possui sequelas cognitivas?</p>
<p style="text-align:justify;">SUPONDO QUE NÃO &#8211; dou voto de confiança à minha plateia &#8211; então você pode não ter escolhido tão mal assim, essa pessoa pode não ser um(a) filho(a) da puta e você simplesmente estará transformando um copo de água em um copo de veneno pro seu relacionamento, matando-o aos poucos. Sim, e a culpa vai ser toda sua, que em vez de agir com ponderação para com a pessoa que você &#8211; supostamente &#8211; ama, resolveu amar mais a si mesmo e chutar o balde. Então, criatura de Eru Ilúvatar, da próxima dê o BENEFÍCIO DA DÚVIDA. Será que a pessoa não fez por querer? É, pode ser que eu, em minha visão limitada, não esteja sabendo de tudo, e pode ser que essa pessoa, que eu amo tanto, e que eu sei que me ama, não esteja querendo me sacanear a perna, me fazer sentir mal, me ridicularizar. Talvez ela só fale em uma língua que às vezes eu não entenda. Pode ser que ela não saiba como eu sou, não tenha tido tempo de me decifrar. Pode ser que eu precise ter mais paciência, e aprender que quem não arrisca não petisca, que grandes poderes exigem grandes responsabilidades, que não se pode tapear o destino e apostar só migalhas da sua vida.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>4 &#8211; The End?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Saiba conversar. Aprenda a não deixar o jogo esmorecer. Entenda que esse é um jogo cooperativo, você NUNCA vai ganhar sozinho.</p>
<p style="text-align:justify;">Não são boas dicas, ao menos no sentido objetivo. Se você tá precisando de dicas diretas sobre como gerenciar sua vida procure seus melhores amigos, seus amores, ou chame os universitários: cartomantes, pastores, o que quer que seja, que possa iluminar misticamente seu caminho. Vá a um bar e peça conselhos ao sujeito à sua direita, não importa o quanto ele pareça porra-louca e anti-higiênico. Mas vou adiantando que nem vai dar certo. Tudo o que você precisa já tá na sua mão, é uma questão de entrega e investimento.</p>
<p style="text-align:justify;">Não que eu seja doutor na área, eu só curto MESMO monogamia, e acho que é uma causa que vale o esforço. Já incorri em muitos dos erros que listei aqui, e hoje espero  ter ao menos aprendido algo com eles. E aqui vai o pulo do gato: quer saber como trapacear de verdade o destino? Aprenda com o erro dos outros, encurte o caminho dos seus. Erre, se for necessário, mas aprender com conselhos dói bem menos. Não diga depois que eu não te avisei. (e se possível aprenda com os meus tropeços).</p>
<p style="text-align:justify;">Falando em trapacear, o Dumbo não é bípede mas abre uma fechadura com uma chave na tromba, só lembrei agora. Mas deixa pra lá, quem se importa. Espertão.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/riversidehotel.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/riversidehotel.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/riversidehotel.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/riversidehotel.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/riversidehotel.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/riversidehotel.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/riversidehotel.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/riversidehotel.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/riversidehotel.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/riversidehotel.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/riversidehotel.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/riversidehotel.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/riversidehotel.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/riversidehotel.wordpress.com/992/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=992&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Os números de 2010</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Jan 2011 06:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Artur Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Persianas]]></category>

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		<description><![CDATA[Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog: O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau. Números apetitosos Um duende das estatísticas pintou esta imagem abstracta, &#8230; <a href="http://riversidehotel.wordpress.com/2011/01/02/os-numeros-de-2010/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=990&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:</p>
<p><img style="border:1px solid #ddd;background:#f5f5f5;padding:20px;" src="http://s0.wp.com/i/annual-recap/meter-healthy5.gif" alt="Healthy blog!" width="250" height="183" /></p>
<p>O <em>Blog-Health-o-Meter™</em> indica: Uau.</p>
<h2>Números apetitosos</h2>
<div style="width:288px;float:right;border:1px solid #ddd;background:#fff;margin:0 0 1em 1em;padding:6px;">
<p><img src="http://s0.wp.com/i/annual-recap/abstract-stats-4.png" alt="Featured image" /></p>
<p><em>Um duende das estatísticas pintou esta imagem abstracta, com base nos seus dados.</em></p>
</div>
<p>Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros.  Este blog foi visitado cerca de <strong>6,400</strong> vezes em 2010.  Ou seja, cerca de 15 747s cheios.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 2010, escreveu <strong>38</strong> novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 480 artigos. Fez <em>upload</em> de <strong>56</strong> imagens, ocupando um total de 16mb. Isso equivale a cerca de 1 imagens por semana.</p>
<p>O seu dia mais activo do ano foi  24 de julho com <strong>144</strong> visitas. O artigo mais popular desse dia foi  <a style="color:#08c;" href="http://riversidehotel.wordpress.com/2009/09/23/todas-as-divas/">Todas as divas</a>.</p>
<h2>De onde vieram?</h2>
<p>Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram <strong>twitter.com</strong>, <strong>tychocafe.com</strong>, <strong>google.com.br</strong>, <strong>search.conduit.com</strong> e <strong>orkut.com.br</strong></p>
<p>Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por <strong>dire straits</strong>, <strong>versos de tristeza</strong>, <strong>alphonse mucha</strong>, <strong>cartas para aniversariantes</strong> e <strong>carta para aniversariantes</strong></p>
<h2>Atracções em 2010</h2>
<p>Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.</p>
<div style="clear:left;float:left;font-size:24pt;line-height:1em;margin:-5px 10px 20px 0;">1</div>
<p><a style="margin-right:10px;" href="http://riversidehotel.wordpress.com/2009/09/23/todas-as-divas/">Todas as divas</a> <span style="color:#999;font-size:8pt;">setembro, 2009</span><br />
2 comentários</p>
<div style="clear:left;float:left;font-size:24pt;line-height:1em;margin:-5px 10px 20px 0;">2</div>
<p><a style="margin-right:10px;" href="http://riversidehotel.wordpress.com/riverside/carta-aos-aniversariantes/">Carta aos Aniversariantes </a> <span style="color:#999;font-size:8pt;">fevereiro, 2008</span><br />
3 comentários</p>
<div style="clear:left;float:left;font-size:24pt;line-height:1em;margin:-5px 10px 20px 0;">3</div>
<p><a style="margin-right:10px;" href="http://riversidehotel.wordpress.com/2010/03/01/versos-da-tristeza-va/">Versos da Tristeza Vã</a> <span style="color:#999;font-size:8pt;">março, 2010</span><br />
3 comentários</p>
<div style="clear:left;float:left;font-size:24pt;line-height:1em;margin:-5px 10px 20px 0;">4</div>
<p><a style="margin-right:10px;" href="http://riversidehotel.wordpress.com/2010/03/14/talk-show/">Talk Show</a> <span style="color:#999;font-size:8pt;">março, 2010</span><br />
1 comentário</p>
<div style="clear:left;float:left;font-size:24pt;line-height:1em;margin:-5px 10px 20px 0;">5</div>
<p><a style="margin-right:10px;" href="http://riversidehotel.wordpress.com/about/">Minhas Razões</a> <span style="color:#999;font-size:8pt;">fevereiro, 2008</span><br />
1 comentário</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/riversidehotel.wordpress.com/990/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/riversidehotel.wordpress.com/990/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/riversidehotel.wordpress.com/990/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/riversidehotel.wordpress.com/990/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/riversidehotel.wordpress.com/990/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/riversidehotel.wordpress.com/990/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/riversidehotel.wordpress.com/990/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/riversidehotel.wordpress.com/990/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/riversidehotel.wordpress.com/990/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/riversidehotel.wordpress.com/990/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/riversidehotel.wordpress.com/990/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/riversidehotel.wordpress.com/990/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/riversidehotel.wordpress.com/990/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/riversidehotel.wordpress.com/990/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=riversidehotel.wordpress.com&amp;blog=2980274&amp;post=990&amp;subd=riversidehotel&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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