Wagner Artur
Piedosamente nós beijamos os céus
E antes que nos déssemos conta, estávamos de braços abertos
Olhavamos ao nosso redor e só víamos o vento, o luar, nós mesmos refletidos em cada estrela emaranhada na teia cintilante da noite
Nós não víamos nada, e isso era suficiente. Mas nós sentíamos tudo, sim, como sentíamos
Na fronteira de nossos sentidos descansavam milhares de emoções e um turbilhão de sugestões se degladiavam para então chegar até nós
e inundar nosso coração com uma cor diferente, uma tonalidade nova, uma textura mais vibrante, mesmo que por um segundo.
Nós sentíamos, e isso era novo, isso era forte e isso era belo.
Sentir não era novo, sentimos desde que somos, mas sentir dessa forma, que era nova, era forte e era bela… era um sonho.
Era surreal.
Sem que pudéssemos controlar, nossos olhos já estavam fechados, nossas mentes em sintonia perfeita com nossos ouvidos que se
encantavam em sinfonias, e nosso olfato enebriado com jasmins.
Em segundos mais longos que horas, num minuto do tamanho de uma vida, nossos olhos se cruzam, e nos distanciamos do beijo, reféns
da vida.
Era vivo, e assim que descrevíamos a vida, como surreal, como intensa, como instável e incompleta
Assim nos desdobrávamos na ânsia por tudo que é mais sagrado, tudo que realiza cada uma de nossas aspirações
As inspirações que nos discerram em um festival de luzes e criatividade.
Então nós nos criávamos. Nos descobríamos.
Em um instante, nós fazíamos tudo valer a pena, tudo que se passa e tudo que se passou
Porém nos vemos presos. Acorrentados na realidade, presos no hiato.
Até o próximo beijo.