Fanboys

Há poucas semanas a atriz norte-americana Halle Berry experimentou uma sensação nova. Participar de uma comic-con, ou seja, uma convenção de quadrinhos. Pra quem não está ligando o nome ao herói, Halle interpretou recentemente Ororo Munroe (Tempestade) na trilogia dos X-Men. Os produtores foram enfáticos em deixar claro que se tratava de uma trilogia, um arco fechado de história, sem continuação prevista, já que provavelmente o orçamento teria de ser deveras inchado, pra conseguir trazer de volta todos os atores dos filmes anteriores. Ela mesma já tinha declarado, após o primeiro filme, que não teria interesse em se vincular de tal forma a um personagem, ainda mais após receber seu primeiro Oscar.

Após a conferência, porém, ela mudou de opinião. Disse ter razões pra acreditar que fazer mais um filme dos X-Men é quase uma obrigação.

Gostaria de citar uma matéria da Gamespy:

“When those who aren’t familiar with video games ask me how the interactive medium can compete with the greatest works of the literary world or the sensory allure of the big screen, I am always left with a single argument. Video games, by their nature, entertain through immersion. You don’t read about someone else’s epic battle against dragons, you’re swinging a magic sword and slaying them yourself. You aren’t watching the FBI agent take down the terrorist, you’re actually aiming the crosshairs and squeezing the trigger. It’s a very powerful form of make-believe that remains relevant and culturally significant no matter the age of the player.”

Poucas coisas me empolgam tanto quanto minha faceta nerd. Meus delírios de fanboy. Muito do que cada pessoa é é definida por quem são seus pais, onde ela cresceu, onde estudou, que livros leu. Claro que não tou defendendo um determinismo exarcebado, apenas gostaria de lembrar: nós somos nossos interesses e nossas paixões.

Existe um jogo pelo qual sou particularmente apaixonado, chama-se Final Fantasy VI. A história se passa em uma sociedade tecnológica pós-mágica, em que lampejos de um mundo antigo brilham como uma centelha fraca, mas não conseguem superar a força da tecnologia. Nesse cenário, um império submete povos à mão de ferro, enquanto alguns tentam combater a ameaça expansionista. E enquanto o mundo – literalmente – parte ao meio em um conflito de proporções épicas, ainda temos tempo pra aprender como é difícil pra um pai manter uma filha sozinho, como a gravidez na adolescência requer cuidados especiais e que por mais que você aposte todas as fichas de sua vida na jogada mais emocionante, sem qualquer remorso ou medo, sempre há algo que te ancora ao mundo. Sempre há algo esperando por você.

Irmãos que decidem destinos com uma moeda, aventureiros que atravessam o mundo buscando a panacéia pro seu amor perdido, nenhum desses conceitos é novo. São todas histórias que já ouvimos desde cancioneiros na idade média, ouvimos em músicas, vemos em filmes.

E é espetacular ver a força de uma história evoluindo e sobrevivendo ao tempo, à modernidade.

Eu me considero um apreciador de histórias. Não interessa se é a história do ursinho pimpão que é perneta e dança polka pra sustentar o orfanato do seu dono, não interessa se é a Tempestade de Shakespeare e Próspero perde a paciência mais uma vez com Ariel e Caliban, e abandona seu bastão de magia na metade da peça. O que nos liga a todas essas fábulas são justamente as metáforas que elas contém. São traços que podemos olhar e traçar paralelos em nossas vidas, não só na base da experiência passada, “já passei por situação semelhante”, como no caso do questionamento: “e se fosse eu nesse lugar?”.

Acho que eu até já disse isso aqui, mas C. S. Lewis já disse que boas histórias são feitas de pessoas normais em situações incomuns ou de pessoas incomuns em situações normais. Uma situação totalmente comum seria tediosa, um contexto totalmente anômalo seria irreconhecível, inconciliável.

Final Fantasy VI, assim como muitos outros, foi uma forma de se contar uma história. Um livro de som e imagem, comédia e drama. Mais que uma ópera, alguns com mais de 90 horas de duração, são quase uma experiência de vida que de tão profunda, deixa marcas.

Halle Berry se encantou com a paixão dos fãs. Eles sabiam cada detalhe dos seus heróis, eles a admiravam por seu trabalho, e em lugar nenhum ela encontrou pessoas tão interessadas em cada detalhe da sua personagem. É a paixão que faz você buscar conhecer mais e mais daquilo que ama. A mesma que faz aquele jovem catar toda a discografia de uma banda que goste. Pensando nisso tudo, eu só posso ser grato a deus por não passar disso, um fanboy, cheio de paixões mundanas que se pra alguns podem parecer insignificantes, me elevam à emoção das árias mais bonitas e à humanidade dos escritos mais sinceros.

Ah, não podia deixar de citar, a Aria de Mezzo Carattere, da imagem acima:

“Maria: Oh my hero, so far away now.
Will I ever see your smile?
Love goes away, like night into day.
It’s just a fading dream.

I’m the darkness, you’re the stars.
Our love is brighter than the sun.
For eternity, for me there can be,
Only you, my chosen one…

Must I forget you? Our solemn promise?
Will autumn take the place of spring?
What shall I do? I’m lost without you.
Speak to me once more!

Draco: Come, Maria, follow my lead.

Maria: We must part now, my life goes on.
but my heart won’t give you up.
Ere I walk away, let me hear you say.
I meant as much to you….

So gently, you touched my heart.
I will be forever yours.
Come what may, I won’t age a day,
I’ll wait for you, always…


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Sobre Wagner Artur Cabral

filosofia política e futebol
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Uma resposta para Fanboys

  1. susi disse:

    salve setzer! =)

    me identifiquei no que a halle disse, eu não interpretei tempestade mas sou amiga de um certo fanboy.

    a do ursinho pimpão foi ótima, ehehe.

    =*

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