Entre o som e o silêncio

Wagner Artur

Judson me disse um dia que se eu não sabia sobre o que escrever, eu escrevesse sobre o que eu tinha pra escrever: o nada. Se eu escrevesse sobre o nada, estaria escrevendo, e assim minha dor e minha ansiedade de impedimento do meu vício se afastariam junto com o silêncio da minha mente.
Ela vem me dizer que precisa de uma boa noite de sono. Eu também preciso de uma boa noite de sono. Eu preciso me extasiar numa redoma de silêncio. Eu preciso me fechar pro mundo, como se nada mais importasse, e como se tudo que sobrou fosse o que há de mais sagrado sobre esta terra, e na medida que o tempo passasse, eu encontrasse consolo e refúgio no mundo dos sonhos, ainda assim, na morada do silêncio.
Existe uma parte boa em se estar perdido. Já disseram por aí que olhando para as estrelas nós vemos o mesmo céu que vê todos aquele que amam, e assim, nós estamos em casa, mesmo se estivermos no fim do mundo. E quando perdidos, tudo é confuso, nada é certo, tudo é uma descoberta. E tudo termina bem, quando tudo termina bem.
O problema é justamente: existe como terminar bem?
Na fronteira entre o som e o silêncio, eu busco me achar. De uma forma eu gostaria de gritar muito, no ponto mais alto do universo, não sei se querendo atenção, mas mais provavelmente só para liberar todo o som que me domina, que bate furiosamente no meu coração, incita minha alma, e enevoa meus pensamentos. De outra forma, eu gostaria de me enclausurar no canto mais profundo dos mares, onde nem a luz alcança. E nesse lugar maravilhoso, eu poderia simplesmente me fundir ao silêncio, me entorpecer com a substância do vazio, e por algum tempo que fosse, tirar dos meus ombros o peso de ser eu mesmo.
Como posso ser capaz de achar a saída do meu deserto, sempre com suas areias que mudam de lugar sem aviso prévio, roubando meu fôlego e minha direção?
Com a ajuda das minhas estrelas favoritas, que me conhecem melhor do que eu conheço qualquer coisa, eu descubro que se eu me perco entre o som e o silêncio, é porque simplesmente eu tenho vida demais. Ter vida não é um dom, é uma opção. Se deixo a vida me enebriar, me desvaneço nos sentidos, me perco entre o som e o silêncio, sem saber o que fazer, como sequer viver.
Resposta pra isso eu não tenho. Mas tenho uma sugestão. Grite mais alto, nade mais fundo, que se estamos dispostos a viver, que seja com toda sua amplitude, com toda a dor e paixão, no mundo do som e do silêncio.

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