Palavras

Conta uma lenda de uma terra distante em que as palavras surgiram antes das coisas. As palavras na verdade seriam as divinidades, e as coisas simplesmente seu reflexo. Segundo me contaram, existiam soltas todas as palavras, todas as unidades da existência. Elas simplesmente existiam como um pedaço daquilo que existe e se contrapõe ao que não existe. Um dia elas resolveram se juntar, sem motivo aparente. Segundo o Mundo, todas queriam na verdade um lugar pra ficar. Já o Destino diz que tudo tinha de ser assim. Deus jura que foi ele que convocou e colocou cada um em seu lugar. Mas a Solidão acha que nem mesmo as palavras são alguma coisa sem as outras pra descrevê-las, e talvez tenha um ponto. O tempo que durou entre a aproximação das palavras e a impressão de suas sombras na criação é inexato, e o processo todo foi recheado de eventos complicados e curiosos. Um dos mais interessantes é a história da Promessa. A sombra da Promessa no começo era estranha, era simplesmente algo que não parecia certo, parecia fora do lugar. Todo mundo passava, olhava, e ninguém danado entendia o que acontecia. A sombra era estranha, incomum, nebulosa. E na hora que o Tempo passava por ali, a Idéia apareceu do nada: a Promessa esteve fora de lugar o tempo todo! A Promessa pertence ao lado do Tempo, são sombras-irmãs. Possuem contornos únicos, irrevogáveis. “Mas se elas pertencem à mesma frase da criação, como podem se encontrar?”, perguntou o Destino. Alguém disse que, como sempre, teria de fazer o trabalho sujo.

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