Palhaços

Wagner Artur

masquerade, paper faces in parade… masquerade, hide your face so the world will never find you!
masquerade, every face a different shade… masquerade, there`s another mask behind you!

Um palhaço é, na minha definição pessoal, um ser humano amplificado. Uma máscara que confere ao seu usuário uma super-humanidade.

O dia em que minha irmã me ensinou como “nasce” um palhaço, foi de uma riqueza de informações única. Uma das primeiras etapas é a escolha do nome. Quem escolhe não é o futuro palhaço, mas sim os outros. O postulante é exibido em pé, de frente aos seus colegas sentados, onde cada um deve falar o que pensa sobre aquela pessoa, que imagem ela lhe traz, com o que ela parece.

Gordo. Feio. Sujo. Amargo. Desdentado. Lento. Desabotoado. Encurvado. Calças-Curtas. Abarrotado. Barbudo. Armário. Brinco. Cadarços Velhos. Decadente. Barril. Barro. Bobão. Bocão. Urso. Concreto. Felpudo. Velho. Brinquedo velho… é, ele parece um brinquedo velho…

A maioria das pessoa já desaba aos prantos nesse processo. Ser exposto ao escrutínio alheio de cada detalhe de sua aparência, o que pode ser feridas abertas pra alguns, não é nada fácil. Ter uma noção do que os outros podem realmente abstrair do jeito que você parece pode ser bem cruel.

Após isso seguem vários exercícios de liberdade de movimentos, mímica, e atividades variadas. Uma das coisas que eles sugerem é que você, ao interpretar seu palhaço, perceba quais são suas particularidades ao caminhar, por exemplo, e acentue aquilo. Se você anda na ponta dos pés, destaque isso. Se manca de uma perna, do mesmo jeito. Assim nasce aquele jeito desengonçado e desajeitado de todo o palhaço. Um eco aumentado do seu “dono”.

Encarnar um palhaço é uma atividade às vezes massacrante. Já diz o ditado que a festa sempre tem de continuar, e cabe a ele se afastar do mundo e tentar, na medida de suas brincadeiras, trazer cada um da platéia consigo.

Diz-se que vestimos máscaras. A palavra personagem, assim como personalidade, vem do termo Persona, que vem do antigo teatro, onde cada figura era representada por uma máscara, e essa máscara caracterizava um personagem, que eram intercalados por vários atores.

Vestimos máscaras pra expor ao mundo uma realidade que queremos que os outros pensem ser verdadeira. Pegamos máscaras de personagens que inventamos e dizemos a todos: “esse sou eu, seguro, confiante e invencível”.

Já os palhaços usam máscaras de si mesmos.. desastrados, atrapalhados, simples, brincalhões…

Definitivamente, sobre-humano…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s