Porquê eu escrevo

Wagner Artur

Surge a pergunta. Desaparece a resposta. Já disse o poeta que não se meta estipular a meta de um poeta, pois cabe ao poeta fazer caber numa lata o incabível, o intangível, o incompreensível. Reaparece a resposta. Escrever é o ato de expressar idéias, ideais, e por em prática o maior legado da humanidade, e aquilo que ela ainda traz de herança de seu criador, a criatividade. Criar, entortar, torcer, amassar, rasgar, costurar, amaciar, ampliar, multiplicar, aliviar, palavras. Obviamente não é o único modo de dar vazão a esse desejo de criação, mas provavelmente seja o modo mais fácil de fazê-lo. Se expressar através de letras não requer material algum, exceto as próprias letras e papel, não requer movimento algum, exceto aqueles que o escritor faz para imprimir as suas idéias em uma superfície qualquer. Portanto escrever é acima de tudo fácil. Sendo então, um modo fácil de exercitar a emoção da criação. Então escrevo. Devo confessar que essa emoção é deliciosa, e é tão boa que deveria ser proibida. Pois se o mundo inteiro soubesse o quanto é bom escrever não faria outra coisa. Então o ato de criar geraria um caos desorganizado de proporções globais, resultando no declínio da sociedade humana assim como a conhecemos. As pessoas parariam de brigar com os vizinhos para irem alegremente mostrar uns aos outros seus escritos, compartilhariam seus devaneios e aspirações então. Nos jornais não se leriam desgraças de homens que ceifaram vidas por prazer, mas homens que narraram vidas com amor. O ser humano estaria em contato com sua veia criadora, podendo então finalmente entender seu criador. O mundo seria diferente, sem dúvida. E engana-se aquele que pensa que faltaria assunto, pois quem supõe que a imaginação tem limites está terrívelmente equivocado. Uma vez retirado o freio da ignorância e receio, a mente pode voar livremente pelos seus céus azulados da imaginação. Alçar novos céus, novas idéias, tempestades mentais, e calmarias inspiradoras. A vida seria uma aventura, vivendo-se aventuras, e narrando-se aventuras, para que os outros pudessem aventurar-se junto. Do mesmo modo, escrever pode ser forjar um mundo à sua imagem e semelhança, com seus sonhos e desejos. Escrevo almejando que um dia as pessoas gostem de escrever, gostem de se expressar, gostem de criar. Escrevo para que o meu mundo se torne realidade. Por isso eu escrevo.

2 respostas para Porquê eu escrevo

  1. Viviany disse:

    Olá,
    estava pesquisando sobre o discurso de Camus e cheguei até seu blog.
    Não sei o que aconteceu, mas deve ter sido algo grandioso para ter fetio com que analisasse mais detalhademente esse espaço, já que não sou muito fã de blogs.
    Sim, certamente foi grandioso. Talvez porque eu, assim como você, tenho um motivo bonito para escrever.

  2. Agatha disse:

    Sim, esse mundo seria maravilhoso!

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