Tranquilo

Wagner Artur

Feche os olhos. Conte comigo. Um. Dois. Três. Dez. Isso não é nenhuma espécie de hipnose, mas com o tempo percebi que contar simplesmente nos deixa mais tranquilos, por via de regra. Provavelmente pelo fato de que sabemos absolutamente tudo o que há pra se saber sobre contar. Um. Depois vem o dois. Dois. Agora já foi o um, qual o próximo? Três. Então você tem um aparente controle, pois o futuro está espalhado na sua frente. Você sabe que invariavelmente, depois do três vai vir o Quatro. Quatro. Depois virá o cinco, o seis, o sete, o oito, o nove e o dez. Cada um a seu tempo, cada um em sua vez. Cinco. Diferentemente das coisas normais, não há extraordinário a que temer. Sempre teremos os pingos nos is, sempre teremos os cortes nos tês, e tudo acontecerá da maneira mais perfeita. Sete. E isso nos deixa relaxados, sim, muito tranquilos. Planos previstos, não há como dar errado. Afinal, o que poderia dar errado? Oito. E ainda melhor, sempre há a esperança, que depois do dez, virá o onze. Mais uma oportunidade. Estamos falando de números, e eles simplesmente não tem limite, são abstratos por definição. Nove. Limites, como nós amamos limites. Dizemos que não, dizemos que eles nos constrangem, nos diminuem, mas nós que os amamos, nós que precisamos deles pra nos justificar. Pra que nos sintamos bem. Pra que assim como os números são infinitos pensarmos que teremos outra chance. Então sim, desafiaremos nossos limites. Dez. Abra seus olhos. Seu tempo acabou. Tranquilo?

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