Coloquei meu coração à janela
Para meu amor ver ao menos de relance
Quando passar pela minha rua
Olhando pro mundo inteiro
Procurando flores e aproveitando o dia
Mas na minha janela meu coração nunca brilhou
E de tanto tomar sol, ficou duro, e acabou que partiu
Caros hóspedes e viajantes,
Gostaria de fazer algo diferente. Curto muito comentários que são feitos em todos os posts, sempre. Todos me animam, me alegram. Mas gosto mais ainda de perguntas (quem viu meu FormSpring pode confirmar), por achar que elas permitem crescimento em direções que eu sou incapaz de antever. E sei que muita gente não comenta por timidez, ou por não ter o intuito de acrescentar nada aos comentários anteriores. Então, pra aproveitar e fazer uma seção de FAQ – Perguntas Frequentes, deixo o espaço para perguntas, anônimas ou não, sobre qualquer coisa presente nesse blog. Se o pessoalc omprar a idéia, publico as perguntas feitas num FAQ depois. Se ninguém animar, não tem problema, prosseguiremos o serviço naturalmente.
da gerência,
Artur
Na arte de ler o futuro, é preciso dispor de duas habilidades essenciais. Timing e persuasão. Não adianta trazer notícia velha – tem de ser coisa tão nova que choque, e se possível pregue na cara do cliente aquela cara de “olha, bem pensado” típica dos arquitetos com verba ilimitada, só que dessa vez sincera. E é preciso convencer o sem-futuro (que ainda não conhece seu próprio futuro, calma), que sua leitura é fato consumado, só que ainda não consumado, só bastante evidente. Esse é o segredo do marketing de guerrilha esotérica: fazer de cada consulta um cartão de visitas na mão de cada cliente, literalmente, permitindo que este possa exibir orgulhoso sua palma direita, oferecendo sua linha da vida como garantia pro plano de saúde ou sua linha do amor pra noiva preocupada com a tal viagem pra assistir o clássico no estado vizinho, naquele estádio que curiosamente fica no centro de uma zona da luz vermelha tão vermelha, que tá quase infravermelha, de tão baixa. Continue lendo ‘A Quiromante Drástica’
“You see those clouds over there?”
“Yeah. What?”
“They’re not meaningless. They are a sign.”
“Congratulations, you have just reached the same conclusion that pre-colombian peoples had achieved thousand years ago without even googling it. Darwin knew best.”
Seleção 2010
1 – Virar professor da UFMG
2 – Aprender com Joseph Campbell, Arthur Schopenhauer, Brunello Stancioli, J. L. B. Horta, Arthur Diniz e Renato César Cardoso.
3 – Conhecer @Kakau e @Igor_mendes
4 – Jogar futebol com os primos na chuva após anos sem vê-los
5 – Grupo de Estudos – Estado, Defesa Nacional e Segurança Internacional
6 – Participar do UFRGSMUN e fazer novos grandes amigos (mesmo com a @_holly partindo meu coração)
7 – Battlestar Galactica / How I Met Your Mother / The Big Bang Theory
8 – NY e The Oreo Incident
9 – Natal: paraíso pelo lugar, amigos e família
10 – Escrevendo sempre para escrever melhor
11 – Kurt Vonnegut e Jorge Luis Borges
12 – My Life is Average e TV Tropes
13 – Muse e White Lies
14 – Como Sacanear Um Hegeliano/Hegelianista
15 – Allez l’amour
BONUS TRACK – “It’s a brand new world, Hobbes. Let’s explore it!” – Calvin. Will YOU explore it with me?

Is this ol' devil moon
Eu devo ser a única pessoa que eu conheço que se empolgou com a notícia de que a virada de 2009/2010 será pacientemente observada por uma imensa lua cheia, a segunda deste mês de Dezembro. O fenômeno, chamado de lua azul – ou “blue moon” – é moderadamente incomum, mas sua ocorrência em uma noite de reveillon, uma vez a cada vinte anos, é extremamente especial. Continue lendo ‘On a different note’

Oi, deixa eu te contar uma história. Começa com duas pessoas se encontrando num bar. Um rapaz chamado Júlio (em homenagem ao Verne) e uma moça chamada Cecília (em homenagem à Meireles). Podia ter sido Clarice (Lispector), mas não, escolhi Cecília. Era, basicamente, um longo diálogo. O título era Armistício.
Gosto amargo de café. Gosto de melão. Anilina. Não, anilina não tem gosto. Gosto de ferro. Mas eu nunca comi ferro. Mas eu sei o gosto, sei o gosto ferroso, pesado, amargo, do ferro. Talvez gosto de areia. Também nunca comi areia. Gosto de pedra, gosto de vidro. Gosto de azul. Sinestesia. Estranho, sinestesia me faz sentir gosto de verde, cheiro de roxo. Meus sentidos me traem, há algo muito estranho acontecendo, nunca fui de sentir gosto de azul. Azul não tem gosto, azul é uma idéia, e eu nunca fui de sentir idéias. Azul é uma idéia de alguém que uma vez olhou pro céu e pensou, idiota, isso é azul. Na verdade, nada impede que o que o idiota chamou de azul seja pra mim, verde. Foco, foco. Não consigo manter o foco. Devo estar sob o efeito de algum narcótico. Respire, com calma. Seu corpo vai processar os elementos estranhos e em alguns segundo você vai recobrar a consciência. Talvez alguns minutos. E eu já estou consciente. Porquê eu não falei “meu” corpo? O corpo é meu. Calma, quem sou eu? Eu sou um punhado de partículas ordenadas segundo um padrão. Calma, não fuja do assunto. Não fuja, não fuja, concentração. CON-CEN-TRA-ÇÃO. Quem sou eu? Não sei. Não sei quem é. Não sei quem sou. Não sei. Como vim parar aqui? Calma. Concentração. Preciso me manter calmo. Alguém me trouxe para este lugar. Não sei como, se descobrir talvez consiga lembrar quem sou. Não sei quem sou. Não sei minha identidade, não sei qual lugar ocupo no espaço, não sei o que me difere do infinito, não sei o que confere a mim uma identidade,uma história, um passado, um rostinho bonito no jornal, ou no jornal da escola, ou no jornal do bairro, ou nas lembranças dos vizinhos, eu não sei onde estudei, não sei onde bebi meu primeiro gole de álcool, não sei onde levei o primeiro fora da primeira garota que eu tentei beijar, meu deus, eu não sei de nada. CONCENTRAÇÃO. FO-CO. Sem foco você não vai chegar a lugar nenhum. Eu sei que eu não sei quem sou. EU sei que eu não sei. EU SEI. Mas não sei quem sou. EU SEI. Não importa. O que importa primeiro é a sobrevivência. Qualquer organismo cuida, primeiro, de sua sobrevivência. Depois do resto. Primeiro da sua manutenção. Em caso de ameaça, qualquer membro se recolhe, qualquer animal silvestre foge, qualquer pessoa se retrai diante de um estranho. É assim que nós somos programados. Diante do medo, abstenha-se. Omita-se. FUJA. CORRA. AGORA. JÁ. NÃO. CONCENTRAÇÃO. Não adianta correr como um animal selvagem. Quem me trouxe aqui me trouxe por um motivo. Preciso frustrá-lo. EU VOU SOBREVIVER. É meu destino. Não importa, não interessa. EU VOU SOBREVIVER. Foco. Foco. Calma. Abro os olhos. Luz, muita luz. Na verdade não há luz alguma, ao menos não em mim. Há muita luz, mas não aqui. Há longe. Cá estou na sombra, no escuro. Estou longe de tudo. Estou no silêncio. O silêncio me abraça. E é tão confortável. É tão bom dormir, descansar. Nessas horas lembro da chuva, serena, paciente, completa. O sono que hoje me desafia não é mais que meu inimigo. NÃO POSSO CEDER. VOU RESISTIR. DEVO RESISTIR. Resisto por ser livre. Se livre não fosse, escravo seria. Se fosse escravo não teria opção de resistir. Minhas escolhas seriam cartas marcadas, minha faculdade de livre-arbítrio seria não mais que um esboço formado de um roteiro sem sal. Mas eu sou maior que isso, eu sou livre. Eu sou livre e posso decidir. NÃO. CONCENTRAÇÃO. Você precisa sair daí. Você corre perigo. Você corre grande perigo. Você, digo, EU. EU PRECISO SAIR. Eu estou preso, eu não sou livre. Minhas mãos estão amarradas, assim como meus pés. Na verdade, eu não os sinto, mas os vejo: distantes, frios, cálidos, ausentes. Mas estão lá. Eu não sinto nada. Não me sinto. Não sinto medo. Não sinto terror. Não sinto a dor. A dor. Não sinto, que curioso. Era esperado que eu sentisse dor, mas eu não sinto. E isso é bom. Muitos morreriam para não sentir dor. Que irônico, morrer para não sentir dor. Como se uma dor com vida fosse pior que uma morte sem dor. É vida com dor. A vida é tão maior que isso. Não consigo, não consigo resistir. Minha mente viaja. Viaja longe demais. Meu corpo pede para que eu desista. Para que eu me entregue. Para que eu me ofereça ao desconhecido como uma oferenda ritual. Não sei o que querem de mim, se querem meus órgãos, meu corpo, meu sexo, meu cérebro, meus sonhos, meu ser, minha vida. Eu não sei. Mas eles querem, e não poderei me defender. Não me concentro, não consigo. Penso nas belas moças belgas, penso na consistência do patê da minha vó, penso na merda, naquela merda do trânsito da minha escola ginasial. Eu penso no mundo inteiro, mas não penso na minha salvação. Algo que existe me impede de pensar na minha salvação. Talvez salvação não haja. Haja drogas, haja químicos, haja torpor, haja ilusão. Talvez só haja contentamento leniente. Talvez eu só esteja esperando para morrer. Talvez isso tudo que eu julgue resistência não seja mais do que duas batidas de um coração, que no tempo peculiar do inconsciente, produz uma discussão racional. Eu não poderia dizer. Eu não teria como saber. Eu não sei. Não posso conhecer o conhecimento. Todo o vigor me afasta. Sou nesse instante só morte. Eu não sou ninguém. Estou morrendo. Sim, estou morrendo. Sou morto. Sou uma cova. Sou passado. Concentração. Silêncio. Concentração. Alvitre. Concentração. Fôlego. Concentração. Amor. Concentração. Eu sou eterno? Concentração. Para, respira. RESPIRE! Não sou mais nada. Desisto de lutar. Não serei mais nada.
Sou um egresso do coma. Sou um cancerîgeno ressabiado. Sou um sobrevivente. Encontro a morte, e ela é tão carinhosa. Estou cansado. É hora de recolher minhas coisas. Não estou com fome, não vou terminar a torta de melão. No café darei um último gole, para sentir seu gosto ocre. Seu gosto preto. Sinestésico. Ajeito minha gravata, visto meu terno, ligeiramente amassado, mas não demais. Noto a hora. Não estou atrasado. Tenho todo o tempo do mundo. Jogo meu terno sobre meu ombro, satisfeito. Sim. Piso na rua, Volto e pego um pequeno doce. Não tem razão. Nem tenho fome. Talvez para não perder a oportunidade. Agora eu posso. Confiante, eterno. Tropeço em algo fútil, banal. Não havia mais ninguém, nenhuma criança para salvar, nenhuma enfermeira gostosa para socorrer. Sou só eu. E eu caio. Tropeço, desatinado. Me esborracho no chão. E do chão, não passarei. No chão, sou empurrado. Olho para os lados, vejo luz. Vejo dor. Concentração. Não vejo mais nada. Não sou luz. Não consigo mais segurar. Não sou mais nada. Sou apenas dor. E concentração.
NOTICIAS
Carlos Drummond de Andrade
Entre mim e os mortos há o mar
e os telegramas.
Há anos que nenhum navio parte
nem chega. Mas sempre os telegramas
frios, duros, sem conforto.
Na Praia, e sem poder sair.
Volto, os telegramas vêm comigo.
Não se calam, a casa é pequena
para um homem e tantas notícias.
Vejo-te no escuro, cidade enigmática.
Chamas com urgência, estou paralisado.
De ti para mim, apelos,
de mim para ti, silêncio.
Mas no escuro nos visitamos.
Escuto vocês todos, irmãos sombrios.
No pão, no couro, na superfície
macia das coisas sem raiva,
sinto vozes amigas, recados
furtivos, mensagens em código.
Os telegramas vieram no vento.
Quanto sertão, quanta renúncia atravessaram!
Todo homem sozinho devia fazer uma canoa
e remar para onde os telegramas estão chamando
Olá, inestimável leitor. Quer ser meu amigo? Continue lendo ‘Como Fazer Amigos – I’







